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sábado, 31 de dezembro de 2016

FUNK DA CONFUSÃO





As abreviaturas...
Que vida breve!

Na pressa do dia-a-dia, nem notamos as pequenas coisas. E quando as notamos, quanta confusão!
Duas notas e duas interpretações!
No primeiro caso, imagino quem ainda chama pasta de dentes de creme dental? CD é outra coisa, mas a marca Colgate não deixa dúvidas!
No segundo caso... Na lista de compras, junto aos CDs adquiridos, me aparece um tal de MC Dedinho! O Quê!?!?!?! Eu não gosto de funk! Nem sei o que é MC!
Quem me conhece, sabe o quanto fiquei indignada! Ralhei, protestei, reclamei...
E assinei meu próprio atestado de caduquice!
kkkkkkk
Meia Calça Dedinho eu comprei. Sim. Não era um CD!
Na dúvida, pirei!
Quem me conhece também sabe o que sempre digo:
- Quem não erra é Deus!

Que nossas risadas sejam maiores que nossos erros!


Izaída





sábado, 24 de dezembro de 2016

TEORIA DA CRIAÇÃO






Venho desenvolvendo uma teoria da criação baseada no que aprendi ao longo da vida.
A criação bíblica nos apresenta: Adão burrinho, Eva maliciosa, Caim assassino... Desde o início dos tempos, os personagens não são frutos possíveis de uma bondade infinita que é Deus! Guerras, futricas, hipocrisias e outras crias... Olha que quanto mais eu vivo - e convivo -, mais amedrontada eu fico em relação às pessoas!
Somos tão preconceituosos que invertemos até a criação e o criador!
Concluo:
- Quem criou o homem foi satanás!
E Deus está até hoje tentando consertar!
Que tarefa!



Izaída Stela do Carmo Ornelas


domingo, 28 de fevereiro de 2016

UM DOMINGO PRA TODA VIDA







Num domingo como hoje, eu estava na janela, quando passou um senhor evangélico negro, vestido de terno e gravata, com sua Bíblia debaixo do braço. Escondida pela veneziana, gritei:
- Ô urubu-rei!
Certa da impunidade, repeti covardemente:
- Ô urubu-rei!
Foi quando senti uma pressão nos ombros... Meu pai estava ali, bem atrás de mim...
Ele não me bateu, embora seu rosto expressasse tanta coisa que justificaria até a violência: tristeza, vergonha, decepção, repulsa... Ele me deu uma surra moral, quando, simplesmente, me levou até a cozinha e explicou o significado da palavra BLASFÊMIA. Ele começou dizendo que a pior blasfêmia é a falta de respeito para com o irmão!
Hoje o Google define: “palavra, expressão ou afirmação que insulta ou ofende o que é considerado digno de respeito ou reverência”.
O que é mais digno de respeito que um pai, uma mãe, um irmão? Quantos blasfemam contra os irmãos! Quantos semeiam a discórdia, o preconceito, a injúria! Eu estava entre eles! Não tinha aprendido a respeitar. Aquele senhor era, com certeza, uma pessoa muito melhor do que eu. E eu, na ignorância de meus oito ou nove anos, achava que era superior... Ledo engano!
Quando conheci a doutrina evangélica, professada por aquele senhor, entendi que eles tinham mesmo muitas razões para protestar! Através do estudo da História, analisando a Inquisição, entre outros fatos, passei a ver que os próprios homens deseducam os homens; que Jesus é sempre jogado de lá para cá, conforme interesses pessoais e institucionais. Mas que a maioria dos “pecados” reside na ignorância. E só tem autoridade para julgar, Aquele que tudo conhece, que tudo sabe! Quem somos nós? Quem somos nós, afinal? Santos? Demônios? Acredito que somos Filhos e Irmãos! Só o Pai reconhece!
Quando xinguei aquele senhor, manchei a mim mesma! Quando alguém injuria outrem, tenho certeza de que acontece o mesmo! Blasfêmias deixam marcas nos lábios de quem as profere. Marcas que só o amor e o entendimento podem apagar. Perdão...
Meu pai, naquele domingo, me deu formação e daí eu parti em busca de informação!
Agradeço a ele por esse dia! Não tenho, por isso, a índole leviana de comentar o que não conheço! Gratidão eterna, como ensinam os amigos!
Mais uma lição, do mesmo dia:
Muito sábio, aquele senhor - negro e evangélico - sequer olhou pra trás! Deixou-me ali, com minha insignificância...


Em tempo, a Lei: a Lei 9.459, de 1997, considera crime a prática de discriminação ou preconceito contra religiões. Ninguém pode ser discriminado em razão de credo religioso. O crime de discriminação religiosa é inafiançável (o acusado não pode pagar fiança para responder em liberdade) e imprescritível (o acusado pode ser punido a qualquer tempo). A pena prevista é a prisão por um a três anos e multa. 


 Izaída Stela do Carmo Ornelas



sábado, 20 de fevereiro de 2016

PEDRA - AINDA MAIS - BONITA



Foto: Vereador Humberto.


Fomos assistir à final do Campeonato Regional de Futsal, em Pedra Bonita, dia 5. Nosso time perdeu, mas nós ganhamos! Há quase trinta anos eu não ia a Pedra Bonita. Encontrei a cidade linda, bem cuidada. Revi amigos e fiquei muito emocionada com a acolhida tão carinhosa.

Meu filho Mário ganhou o troféu como segundo goleiro menos vazado. Quem diria! Quem diria que o Miguel fosse ter coragem de fazer um pronunciamento público! Quem diria! Foi mesmo uma noite de surpresas. E de muitas certezas! Muita diferença nas ruas, nas casas, no ambiente. Nenhuma diferença nas pessoas: José Norberto sempre na organização, como no tempo das festas na escola! A Zina de bom humor, com sua cerveja gelada na mão! Não dá pra citar todo mundo, mas todos estão no meu coração, tá? Fiquei devendo muitas visitas e talvez eu fique “aguada” por não ter tomado uma cerveja no bar do Ronaldo!

Tantas pessoas boas! Que ambiente gostoso!

Pena que não pudemos ficar mais tempo. Tempo... Tempo... Quanto tempo mais ainda vai se passar até que eu volte a Pedra Bonita? Não sei. Felizmente trouxe comigo a certeza de que lá as coisas boas vão continuar evoluindo, enquanto as pessoas preservam o que tem de mais precioso em si.


Até breve! 


Izaida Stela do Carmo Ornelas

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

ASSIM NASCEU O PRECONCEITO...




    


Nasci e cresci na mesma casa onde moro hoje, no centro da cidade de Divino-MG. Olhando para minha história, que é bem semelhante à história de nossa comunidade, percebi que enquanto ampliamos nossos horizontes, neles enfrentamos uma sucessão de preconceitos velados.
Quando comecei a estudar, conheci o grande preconceito que havia – se é que ainda não há – entre os moradores da Praça e da Rua Nova. Os alunos da Rua Nova sofriam bullying incessante e as crianças da Praça se acreditavam superiores! Meus avós maternos moravam na Rua Nova, minha mãe era da Rua Nova.. Eu não conseguia entender bem a coisa e me sentia dividida...
Mais tarde, visitando cidades vizinhas, confesso que muitas vezes tive vergonha de dizer que era de Divino, porque sempre alguém dizia ser aqui um lugar de assassinos, de arruaceiros, de caloteiros, etc. “Mata um por dia”, “mata pra ver cair”, “dá nó em goteira”, etc. Vergonha alheia! Quem nunca? Todo divinense tem um “causo” desses pra contar!
Morando no Rio de Janeiro, nos anos 1980, me sentia triste quando alguns cariocas ficavam “tirando sarro” dos mineiros, porque lá somos tomados por caipiras, tolos e avarentos. O que há de verdade nisso tudo? É que tomam uma parte pelo todo! Alguns mineiros são caipiras, mas não todos. E as comparações levianas continuam!
Quem nunca foi vítima de preconceito, afinal?
Acredito que assim se sentem os sírios que se refugiaram em diferentes países. No fundo, pelas costas e na maior parte do tempo, são rotulados por terroristas... Sendo que poucas pessoas se preocuparam em conhecê-los, antes de julgar. Não aprendemos ainda, mesmo já tendo sofrido – e muito - com o preconceito!
A ignorância é mesmo uma péssima companhia e o medo, seu pior conselheiro! Se forem más pessoas, o ‘pecado’ é deles. Mas que cada um de nós não carregue consigo o grande pecado de não reconhecer Jesus no próximo.
Fé e amor são linguagens universais. 



Bem-vindas as famílias sírias que escolheram nossa cidade para viver!
Paz a todos. Salam.



Izaida Stela do Carmo Ornelas


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Que valores são mesmo de valor? A que valores você dá valor?







Minha geração forneceu os protagonistas de todas estas palhaçadas que vemos nos jornais: lava-jato, mensalão, propinoduto, entre outras menores, corriqueiras, mas não menos criminosas.

É que minha geração teve uma criação muito estranha. A maioria de nós foi criada “pra levar vantagem de tudo”, achando bonito “dar manta” nos outros, aceitando como verdades absolutas tudo o que nos era dito pelos “mais velhos”. Respeito irrestrito, irresponsável e irracional a pais, avós e “similares”.

Aquele parente caloteiro tinha que ser recebido em nossas casas com toda cerimônia, servido com o melhor jantar, etc. Ao mesmo tempo, éramos alimentados com o pior exemplo possível. A autoridade corrupta recebia louros, afilhados, nome de rua e se sentava à cabeceira das mesas das melhores famílias. Sem que houvesse protestos em nenhum jornal. Muitos pedófilos tinham lugares garantidos nas festas de família, enquanto o núcleo abusado não comparecia ao evento, simples e silenciosamente. Dolorosamente. Não nos faltam exemplos. Acho que cada um pode acrescentar um “causo” dessa prática.

Alguns de nós conseguimos quebrar - em parte - esse círculo vicioso, criando nossos filhos à luz da razão, com noções melhoradas de dignidade e ética. Talvez porque sofremos demasiado a dor da vergonha alheia. Também porque fomos criando uma revolta produtiva contra esses disparates que se desenvolviam à nossa volta.

Marcelo Odebrecht, ao discorrer sobre a delação premiada, exemplifica a continuidade dessa criação: “Quando lá em casa minhas meninas brigavam eu perguntava ‘quem fez isso?’ Eu talvez brigasse mais com quem dedurasse”. Ele incorre num juízo esvaziado de valor: não importa o que foi feito, não importa a causa; só as consequências merecem destaque.

Na mesma linha de raciocínio, temos o velho ditado: “Quem fala a verdade não merece castigo.” Tratando a causa: quem fala a verdade, “desde sempre”, não fará nada que possa merecer castigo algum. O problema é saber o que é verdade, no meio de tanta falácia. Tenho dito.


E as perguntas continuam em aberto:

Que valores são mesmo de valor?
A que valores você dá valor?




Izaída Stela do Carmo Ornelas



sexta-feira, 14 de agosto de 2015

NININHA






Minha avó materna, Maria Izaltina, era uma pessoa de muitos nomes. Para os filhos, minha mãe; para aos netos, Dindinha; para mim, Nininha. 
O sobrenome dela varia na certidão dos dez filhos que teve: de Jesus, Gomes e Moreira. Sua personalidade forte fazia com que suas ações fossem diferentes das ações das mulheres de seu tempo. As muitas histórias dela são necessárias. Sim! São necessárias para os dias de hoje!

A primeira
Uma de suas filhas não comia quiabo. Mesa posta, na casa da comadre: uma panela de frango com quiabo... Minha avó desculpou-se com a amiga, avisando que a filha não comia quiabo. “Como, sim!” – corrigiu a menina. Nininha ficou quieta. Quando chegou em casa, mandou buscar quiabo na horta, matou uma galinha e chamou a filha pra jantar. “Não como quiabo, minha mãe. A senhora sabe...” - afirmou a mocinha. “Come, sim! Tá de lamber os beiços!” – falou por entre os dentes, usando um tom de voz quase debochado, que combinava muito bem com o olhar azul educador. Chamou os outros filhos para ver. Não para comer, porque aquele frango era somente para a atrevidinha. Nenhum de seus filhos virou mentiroso ou falsário.

Segunda
Visitando outra comadre, o filho da dona-da-casa era uma verdadeira pestinha. Chutou as canelas de Nininha, bateu num de seus filhos, quebrou seu guarda-sol... Quando a comadre se distraiu, o moleque disparou a fazer caretas, mostrar a língua e toda sorte de disparates. Nininha chamou o menino e deu a ele um “agrado”: dinheiro o suficiente para uma boa quantidade de doces. Esclareceu: “Que lindo! Nunca tinha visto um menino tão engraçado e talentoso assim! Aposto que se você fizer isso sempre, todas as outras visitas vão te dar até mais dinheiro do que eu!”. Quando a comadre veio à casa de Nininha, “pagando” a visita, soube-se que o moleque havia apanhado bastante e estava de castigo, por conta de traquinagens. Sempre soubemos a verdade: por conta de Nininha! Nenhum dos dez filhos se esqueceu de recontar este caso aos netos dela.

Terceira
Retornando do velório de um parente, notou que um dos filhos trazia um brinquedo que não lhe pertencia. “Apertado”, ele disse que havia encontrado o carrinho no terreiro da casa do morto. Mesmo sendo já noite, fez com que o rapazinho levasse de volta o objeto e recolocasse no mesmo lugar onde havia encontrado. Claro que meu avô foi atrás, vigiando sem o filho perceber. Mas nenhum de seus filhos virou ladrão.

Saudades do tempo em que dignidade era a lei.



Izaida Stela do Carmo Ornelas
Na foto acima: Madrinha Iracy, Nininha e minha mãe.


terça-feira, 4 de agosto de 2015

MUÇULMANO








Eu conheço um muçulmano.
E não faz nenhuma diferença... Ou melhor, não deveria fazer... Não deveria ser “pitoresco” o fato de se conhecer um ser humano. Mas a história da humanidade é assim mesmo. Alguns séculos atrás era notável quando algum branco afirmava conhecer um negro ou um índio “pele vermelha”, como se fosse algum animal exótico. Jesus! Continuamos agindo da mesma forma ridícula, tomados por modos “modernos”!
Faz diferença o fato de haver conhecido um humano sensível, digno, preocupado com o próximo! Conheço um humano.
Humano.
Por ser espírita, já me “acostumei” a ser vista com preconceito e a ter minha personalidade estereotipada por aí (kkkkkkk). Infelizmente, para quem age assim. Mas, por outro lado, já aprendi pelo menos a tentar não usar o preconceito para lidar com outros seres humanos, desde que tenham bom caráter.
Para quem não conhece ainda um muçulmano (sic), vale uma pesquisa no site da religião dele: www.sufinaqsh.com . Depois, repensar a sua opinião. 
A minha é: Ninguém conhece ninguém.


Izaída Stela do Carmo Ornelas



PS. - Este mesmo texto pode ser lido novamente, substituindo-se a palavra muçulmano  por outra que seu preconceito ditar: gay, prostituta, aborígene, etc. etc. etc.





domingo, 22 de março de 2015

APRENDENDO SEMPRE




            



Nos últimos meses, estive presente em velórios de amigos e parentes. No meio da comoção geral, comecei a observar o sentimento, a dor, a morte. Perguntei o que é que poderia aprender disso tudo...
Quando percebi a sinceridade em cada olhar triste, em cada abraço, entendi: é preciso fazer diferença na vida das pessoas. Presenciei a despedida – temporária – entre pessoas que tinham entre si amizade, carinho, afeto, solidariedade. Consolador. Gostaria que meu velório fosse assim: com meus irmãos verdadeiros, de vida, mesmo que poucos.
Por intuição providencial, lembrei-me das pessoas que não terão este capítulo bonito em suas histórias. Sim. Quem nunca ouviu um “já vai tarde!” ou mesmo um “vou soltar foguete!” quando o falecimento de alguém é anunciado. Credo! Será que me enquadro nesse conjunto? Melhor colecionar amigos do que criar inimigos.
Aprendi num livro de Chico Xavier, emprestado pelo Gésus, meu companheiro de trabalho, a seguinte estória: “Um rei mandou que seu filho reunisse soldados e deu a ele mantimentos e riqueza, para que ele destruísse todos os inimigos do trono. Ao retornar ao palácio, o filho do rei tinha feito Justiça em todas as províncias do reino, distribuído os mantimentos, beneficiado as comunidades com o trabalho dos soldados. Havia selado a paz em todos os lugares. Não havia destruído os inimigos, transformou-os em amigos.” Guardei com carinho o ensinamento.
Este conhecimento foi repartido com uma amiga, que estava incomodada pelo som alto de seu vizinho. Contei a estória. Aconselhei-a a torná-lo amigo, a conversar e esclarecer, pois o conheço bem e sei tratar-se de boa pessoa. O problema foi resolvido. Aposto que até os outros vizinhos, beneficiados pelo som mais baixo, ficaram mais felizes!
Assim, decidi escrever esta crônica para pedir aos leitores destas linhas que tirem um pouquinho do seu tempo para fazer uma prece em favor destas pessoas que semeiam a maldade, a maledicência. Quando aparece aquele irmãozinho do mal na TV, quando cruzamos pelo notório antipático na rua, vamos fazer uma prece para que os corações destas pessoas se abram para o bem. Quem sabe nossas preces serão atendidas?

Izaida Stela do Carmo Ornelas





sábado, 17 de janeiro de 2015

PARECÊNCIAS







Na sociedade romana antiga havia um ditado: “não basta que a esposa de César seja honesta; ela tem que parecer honesta.”
Dois séculos não foram suficientes para alterar esse comportamento.
A maioria das pessoas ainda tem uma fixação excessiva em parecer, deixando de lado o ser.
Não basta que o sujeito seja apaixonado; tem que tatuar o nome da amada... Não é suficiente ser um bom cidadão; tem que protestar... Não basta que homem e mulher sejam felizes juntos; tem que estar casados, ostentar uma aliança enorme, festejada em ocasião suntuosa. Não basta que a pessoa seja caridosa; é preciso divulgar na mídia suas ações... Não basta que você seja feliz; se não aparentar felicidade...
Não basta a virtude; é preciso o glamour da aparência.
E o empenho em ser fica sempre em segundo lugar.
O caminho inverso está, assim, delineado. O quanto de felicidade aparente nos posts do facebook é felicidade real? O quanto de decência, de honestidade, de virtude, são qualidades reais?
Escondidos, atrás da aparência, da mídia, da propaganda, estão os corruptos, os criminosos, os maus profissionais... Muitas vezes rindo de nossa credulidade; sempre posando de “coitadinhos”, quando são questionados a fundo. Graças a nossa ingenuidade, eles conseguem inverter os papéis e se convertem em “tadinhos”, mesmo tendo roubado, aleijado, lesado... Afinal, eles têm a simpatia material, enquanto a razão, que é espiritual, não tem esse apelo tão forte...
Com estas atitudes reafirmamos, subliminarmente, que acreditamos mais no material do que no espiritual. Enquanto não encontramos materialidade nas virtudes, geralmente, nós as negamos. Mas quando encontramos materializado um simulacro, um arremedo de virtude, nós tendemos a aceitar de pronto.
Assim, a mentira material recebe maior valor – e maior credibilidade - do que a verdade espiritual.
Vamos pensar mais, pensar melhor. A vida acontece além das aparências.



Izaída Stela do Carmo Ornelas


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

RESPEITAR É PODER





Não devemos – e não podemos mais – lutar enquanto minorias.
Direitos das mulheres, dos negros, dos gays, dos índios... Tudo recortado, não funciona. Fraciona o poder. E isso é tudo o que o capitalismo/materialismo quer. A divisão de trabalho é lucro desde sempre; a divisão do trabalho revolucionário continua sendo lucro...
Até hoje é difícil compreendermos a lição das varas que, juntas, não podem ser quebradas. E também aprender que somos iguais, mesmo separados por aparências: somos HUMANOS.
Injúria racial, delito sexual, homofobia, bullying... Muitos nomes para o mesmo crime: desrespeito. Muitas consequências para as mesmas causas: orgulho, prepotência, inveja, cobiça...
É crime contra o humano qualquer desrespeito à materialidade ou à espiritualidade deste.
Estamos, na verdade, falando de RESPEITO. Ou melhor, da falta dele. Com ele não são necessárias leis específicas, dividindo, mas ações que unam a sociedade em torno de algo maior que essa coleção de picuinhas e grupinhos fechados em si, com a voz sufocada.
Se é crime o racismo, por analogia, entendem-se como crimes equivalentes o deboche religioso, a ditadura da magreza, o machismo das propagandas de cerveja, a homofobia, as piadas de louras, a discriminação contra os nordestinos... A lista é grande.
Aqui um aparte: não se trata de exageros. Senão, do jeito que vai a coisa, a Sociedade das Lombrigas vai eleger seu representante no Legislativo e aprovar uma Lei contra os vermífugos, porque as lombrigas têm direito à vida. Tá rindo? Vai ver o Filme Sete anos no Tibet, com Brad Pitt, e depois me conta... O povo de lá respeita as minhocas! Juro! Vai conferir e depois comenta aqui.
Continuando nosso assunto... Há pessoas com pobrefobia. Fazer o quê? Ainda não tem “enquadramento” legal pra esse tipo de preconceito. Será que dá cadeia? Cometemos crimes velados, sem punição legal/material. E a punição espiritual? Nem queiram saber. Melhor tentar corrigir, unir e evoluir!
Brincadeiras à parte, o caso é sério. Precisamos nos unir e brigar pela causa ÚNICA do RESPEITO. Não é mais tempo do Orgulho Gay, do Cangaço de Lampião, do Black Power ou do Women’Lib. É tempo do ORGULHO HUMANO.
Não estamos juntos, aqui e agora, por acaso.

Vamos pensar nisso = Fé.
Agir nisso = Obras.
Viver isso = Amor.

Feliz Natal! Mais feliz 2015!!!



Izaída Stela do Carmo Ornelas




sábado, 15 de novembro de 2014

UM DIA DE BORBOLETA



Um barulhinho estranho... Flap, tic... De onde vem? Procuro atrás do móvel. E novo flap me faz descobrir uma borboleta, dentro de uma moringa antiga. Como foi que ela conseguiu se enfiar ali? – pensei. Bom, o importante agora é que ela precisa sair dali. Como fazer?
- Ingrid, dá uma idéia, peço.
E começamos a sacudir o vidro, virar de boca pra baixo, levar para o sol... Talvez a claridade atraísse a bonitinha. Nada.
De repente, Ingrid me conta que esse tipo de borboleta vive apenas um dia.
Foi como se ligasse um botãozinho turbo na minha cabeça. Vinte e quatro horas apenas! O que faria eu se minha vida fosse resumida a vinte e quatro horas? E você, o que faria? Quais seriam nossas prioridades?
Começo a relativizar: se o tempo de existência da terra fosse reduzido a um ano, o ser humano teria surgido às 22:30 do dia 31 de dezembro. Uma curiosidade e tanto; uma lição de humildade para tantos! Qual seria o tempo da borboleta? Estaria já madura?! Daqui a pouco seria uma anciã...






Resolvemos por fim ao cárcere da jovem, destruindo o presente que ganhamos pelo casamento, em outubro de 1987. (Desculpe-me, Gracinha Oliveira, mas tive de quebrar. Quebrei com respeito. Juro. Sei que você vai me entender.)
Fora do vidro, a beleza dela nos encantou. E a lição ficou.
Que tempo vale mais? Que matéria vale mais, a borboleta ou o enfeite? Que atitude vai fazer diferença daqui a alguns anos?
Escolhemos preservar ambos: a vida da borboleta e a lembrança da moringa.



Izaida Stela do Carmo Ornelas



domingo, 12 de outubro de 2014

O DIA EM QUE A FILA PAROU





Tem sempre um dia na vida da gente... Aquele dia em que é preciso decidir o que é realmente importante...
Muitos destes dias passam despercebidos. Pena. Mas um dia desses percebi uma pessoa nova na fila. Um novo olhar me revelou uma pessoa já antiga em minha vida. Que surpresa! Na fila estava uma amiga que não via há quase trinta anos! E eu a reconheci no segundo olhar!
Parei a fila. Justifiquei:
- Quem de vocês tem uma amizade há mais de vinte anos, vai me perdoar. Quem não tem, vai me invejar. Kkkkk
Sai do guichê e fui abraçar minha amiga Edna Moreira. Amiga de infância, das férias no Rio de Janeiro, dos bailes da Portuguesa, na Ilha do Governador. Foi uma alegria indescritível. (E olha que ainda faltam três das irmãs dela pra reencontro. Rs.rs.)
Os clientes devem ter-se posto a pensar, espero... Alguns deles se emocionaram.
A fila parou. Ninguém reclamou. Acho que, se fosse eu lá na fila, agradeceria a oportunidade de presenciar um momento tão importante.
Confesso que me inspirei num personagem bíblico pra ter coragem de tal peripécia. Quando Jesus visitou Marta e Maria, Marta reclamou que estava fazendo todo o serviço, enquanto Maria estava escutando o Senhor. E o Mestre afirmou que Maria havia escolhido a melhor parte. Aprendi com ela. Escolhi a melhor parte: a amizade. A melhor parte - a parte espiritual - é aquela que nunca nos poderá ser tirada.
Mas isso não quer dizer que sempre acertei nas escolhas que fiz. Longe disso! Certa vez, uma amiga me procurou no trabalho e não dei a atenção que ela merecia, priorizando o lado material, o trabalho e a rotina. O remorso ensina, também. Enquanto isso, a vida nos proporciona novas chances para aprender.
Em nova oportunidade, é preciso fazer a melhor escolha. E dar o melhor exemplo. Voltei ao trabalho renovada. A fila anda.

Deus abençoe os amigos!


Izaida Stela do Carmo Ornelas

quinta-feira, 24 de julho de 2014

NUVEM NEGRA







Nuvem negra é, para muitos, uma expressão amedrontadora. Afinal, nuvens negras escondem o sol com maior facilidade. Adia-se a luz do sol. Nos desenhos animados, elas sempre acompanham as pessoas de mau humor!
Personagens reais também se fazem acompanhar dessa atmosfera. Há alguns dias, uma amiga me confidenciou a dificuldade que teve em desempenhar seu trabalho. Chegou mesmo a pedir demissão, por causa de uma “nuvem” dessas. Sua alegria incomodava a chefia/nuvem, ao mesmo tempo em que o bom relacionamento entre ela e a clientela atendida eram sempre alvo de inveja e ciúmes. No entanto, ela percebia o quanto era importante receber as pessoas – principalmente as - doentes com otimismo, com prazer (ela trabalhava no atendimento à saúde). Fora do ambiente de trabalho, sentiu-se aliviada: foi vencida pelos raios e trovões que a nuvem lhe dirigia. Assim como acontece com o tempo meteorológico, procurou um outro lugar pra iluminar. E, com suas características pessoais, encontrou rapidinho! Quem saiu perdendo?...
O parente, o colega de trabalho, o conhecido, o chefe, o vizinho, enfim... o tipo “nuvem negra” faz com que o dia esteja sempre entristecido. É pesado, ameaçador, deprimente. Impede muito crescimento.
Como será que estamos nos apresentando para nossos semelhantes? Somos nuvens negras ou esculturas de sonho no céu? E como perdemos oportunidades de receber luz do outro, expulsando o sol de novas convivências, de novos aprendizados!
Mas não podemos nos esquecer de que as nuvens de chuva sempre são escuras. É nelas que se esconde o sustento das sementes. São oportunidades para o exercício de posturas importantes: paciência, empatia, discernimento. Depende da maneira que as entendermos.



Izaida Stela do Carmo Ornelas





domingo, 29 de junho de 2014

A VERDADE DE CADA UM




Estamos num tempo de muitas indagações. Vivemos e convivemos com perguntas e respostas. E nossas respostas são, em grande parte, omissas ou medíocres. Mas qual seriam as respostas eficientes para nosso crescimento (moral, socioeconômico, pleno)?
Geralmente fazemos as interações erradas, nas quais nossa verdade aparece em plenitude.
Quando ouvimos que “Fulano foi operado”, na maioria das vezes, indagamos “de quê?”, quando a pergunta correta seria “como ele está?”. Vivemos especulando a vida do outro ou procurando agregar valores anos mesmos e à sociedade em que atuamos?
Em simples contatos com os outros, cotidianamente, demonstramos o quanto somos ainda atrasados e, por outro lado, o quanto ainda podemos melhorar. Isso mesmo: PODEMOS melhorar, se QUISERMOS.
Suponhamos que eu estivesse capinando o meio-fio em frente a minha casa, passasse determinada autoridade e gracejasse, perguntando "você está trabalhando na Prefeitura?"... Seria uma ação correta essa autoridade perguntar-se como poderia fazer para evitar que uma pessoa de “segunda idade” tivesse esse trabalho, afinal, a obrigação de promover essa ação não é minha... Mas não me custa nada – e ainda me ajuda a gastar algumas calorias! Antes que as más línguas se adiantem, deixo claro que este foi só um exemplo, um fato que inventei para ilustrar a ideia.
O que fazemos com as informações que nos chegam? Futrica? Maledicência? Bases para melhoria? Lições? Depende do modo que ESCOLHERMOS.

Existe uma reflexão na internet que sintetiza o que estou aqui tentando explicar, ela fala em reagir como Jesus.


A verdade de cada um é, afinal, um pequeno pedaço da colcha de retalhos que é nossa comunidade.
Que seja da melhor qualidade possível.

Izaida Stela do Carmo Ornelas



segunda-feira, 26 de maio de 2014

DIVULGAR O BEM




O melhor compromisso que um veículo de comunicação pode assumir, junto à sociedade, é a divulgação do bem.
Estamos todos cansados de tanto sensacionalismo, de tanta irresponsabilidade, de tanta mesquinharia. A exploração da miséria humana – em todas as suas dimensões – tem que ter limites! Senão, ao invés de estimular a evolução, estaremos incentivando o retrocesso, nosso retorno aos tempos da justiça pelas próprias mãos, do olho por olho, da barbárie. Precisamos fazer a nossa parte.
Acredito que toda notícia deve obedecer ao princípio do Triplo Filtro, ensinado por Sócrates: Verdade, Bondade e Utilidade. Acabo me perguntando: - o que é notícia? É a narração de um fato ou a execração de uma pessoa?
Alguns tristes acontecimentos, inclusive em Divino, me fizeram lembrar dos Circos Romanos, quando pessoas se reuniam pra assistir a espetáculos de sangue e morte, pedindo sempre mais, entregando pessoas às feras. Até os dias de hoje, os integrantes da platéia não se dão conta que essas pessoas - culpadas ou inocentes, tanto faz - são filhas do mesmo Deus que dizem honrar. Vão às redes sociais para vociferar a crucificação, o linchamento moral, o escárnio... Gostaria que fossem às ações de caridade das igrejas com o mesmo fervor!
É este o resultado de nossa cultura maniqueísta, pela qual só existem dois lados – o bem e o mal - e duas interpretações: bom ou mau. Essa tendência de simplificar as coisas é uma forma bastante perigosa de analisar.
Um pouco mais além, é necessário que a gente se pergunte:
- Para que vai servir essa notícia?
Aí a coisa fica séria...
Se for servir para destruir, melhor que não seja divulgada. Essa é a opinião de Jesus: “infeliz do homem por quem o escândalo venha”. Precisamos parar com essa mania de pedir sangue!
Numa rodinha de amigos, chega a notícia de que a fulaninha passou no vestibular pra medicina, em primeiro lugar! Rende dois minutos de comentário, quando muito. Se, por outro lado, o assunto for a “pulada de cerca” da fulaninha, são tecidas duas horas de comentários, insinuações, curiosidades... Haja maldade pra sustentar nossas línguas e mentes sem Jesus! E não é fácil mudar essas coisas em nós, visto que ninguém é perfeito. Não é fácil, mas é possível.
Quando nos percebemos assim tão longe do Criador, percebemos também que há um longo caminho a percorrer. Por isso, precisamos começar agora. O planeta inteiro vai se beneficiar da faxina moral que fizermos em nós mesmos.


Izaida Stela do Carmo Ornelas


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

TÁ PICHADO NA MEMÓRIA




Foto: Jornal O Impacto


As recentes pichações em Divino me deixaram cheia de saudades. De novo. Saudades de quando o Sr. Valdir tomava conta do jardim. Foi bem lembrado pela minha amiga Ana Cristina o quanto ele cuidava das coisas e da gente!
Se a gente sentasse com os pés em cima do banco, lá vinha ele... Quando andávamos de bicicleta de maneira perigosa, éramos convidadas a parar. Algumas vezes ele nos dava um baita “galope”, sem perder o chapéu. Se algum de nós aprontasse, ele fazia questão de nos acompanhar até em casa e nos “entregar” pessoalmente. Nessas ocasiões, era sempre muito bem recebido em nossas casas, relatava nossas peripécias e nossos pais ficavam lhe devendo obrigação! Se fosse hoje... Alguns pais... deixa pra lá...
Quanto devemos a ele! Quanto reconhecimento pelo cuidado que ele tinha! Ele cuidava tanto dos bancos e das plantas, quanto das crianças e jovens! Quanta diferença das pessoas de hoje em dia! As pessoas de hoje se importam mais com o material: o salário, o prejuízo, a pintura estragada... Na verdade, funcionava mais quando se preocupavam com o trabalho bem desempenhado, com o lucro moral e com a consciência tranqüila...
A pichação reflete nossa falta de cuidado com os jovens e com as coisas. Estamos sendo muito omissos. Nada é da nossa conta... E vivemos de braços cruzados! Na frase em inglês, estampada no chafariz, pode-se ler: “Plant more green”. Traduzimos como sendo “plante mais verde”. Sr. Valdir não faria essa tradução. Ele ia ler: “Eduquem melhor as crianças”!!!
Nossos pais confiavam nele e quase nunca relutavam em nos deixar brincar na praça, pois sempre tinha a pessoa zelosa do Sr. Valdir de olho na gente. Muitas vezes tentamos esconder seu guarda-chuva, quando ele o deixava pendurado em algum galho. Sem chance. O velho era mesmo esperto!
O cuidado dele está gravado, ou melhor, está pichado em minha memória. O chapéu e o guarda-chuva. Quase Carlitos.


Izaída Stela do Carmo Ornelas



terça-feira, 12 de novembro de 2013

O PIOR ESTRANHO






Desconheço o autor, mas esta foi a frase mais tocante que li, na internet, nos últimos tempos.
Tem gente que eu olho e tenho vontade de dar aquele toc, toc, toc na testa e pedir pra falar com quem está lá dentro... Ou melhor, com quem eu suponho que deveria estar lá...
Tenho a nítida impressão de que aquele conhecido ainda está ali, perdido em algum lugar... Talvez esperando por mim.
Alguns, a gente nem reconhece mais.
São os que deixaram que nós os conhecêssemos através de seus sonhos e quando esses sonhos deixaram de existir, não os reconhecemos mais.
Se os outros são nossos estranhos, somos – por nossa vez – os estranhos dos outros.
Por fim, terminamos por ser os estranhos de nós mesmos.
Quantas vezes nos contam coisas sobre nós que desconhecemos, fatos dos quais não nos lembramos e que parecem fazer parte da vida de outra pessoa, do nosso estranho particular.
Toc, toc, toc...
Cadê você?


RE-DES-ENCONTRO
Chega um dia em que suspendemos o tempo
... e tudo foi ontem...
o encontro, o sorriso, o suspiro
o suspiro, a lágrima, o adeus

Vinte anos e mais
são vinte anos demais
E no tempo de ontem estão condensados

No trejeito rebuscado não reconheço
o coração que conheci

Nas palavras reticentes percebo
o quanto ontem foi um longo dia!
E a distância – que nunca antes existiu –
Nasce entre nós.

O problema maior é que o estranho esteve ali o tempo todo. Sempre. Só a gente não via... Ou não queria ver. Porque a gente só vê o que quer ver...
Portanto:
- Conheça-se estranho, antes que seja tarde! Tarde de novo!



Izaída Stela do Carmo Ornelas


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