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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O MENININHO




Numa das reuniões da Casa Espírita, alguém me contou esta história (acho que foi o Jhony Bernardo) e sempre me lembro dela quando ouço pessoas discutirem a profissão docente.

Uma rodinha de crianças conversava na hora do recreio, fazendo planos:
Marquinho - Eu vou ser advogado, depois um promotor ou juiz de direito, ganhar muito dinheiro.
Juquinha – Eu vou ser policial, delegado de polícia, prender bandidos, defender a cidade. Serei um herói.
Malu – Prefiro ser médica, salvar pessoas e ainda ganhar uma boa grana...
Assim foram falando, cada um, seus objetivos para o futuro: jogador de futebol, psicólogo, etc.
Só Joãozinho não falou... Até que foi perguntado.
- Eu vou ser professor, disse ele.
A risada foi geral.
- Você vai é morrer de fome, que ninguém dá valor a professor não, debochou o grupo.
E Joãozinho esboçou um sorriso de confiança e desafio, quando explicou:
- Eu vou ser um professor muito bom. Vou ensinar as crianças a serem boas, a agir e raciocinar com justiça. Com isso, não vai ter muito trabalho para advogados, policiais, juízes, promotores e delegados! Vou ensinar as pessoas a cuidarem melhor de sua saúde, diminuindo o número de doentes e de clientes para a medicina.  Vou encorajar as crianças a buscarem o esporte mais pela saúde do que pela competição, colocando o valor do futebol longe da especulação dos cartolas. Meus alunos serão confiantes, corretos, solidários; quase não vão precisar de psicólogos. Vou cumprir minha missão.
E todos saíram dali com outras idéias...

Sou professora. Concluí o curso de Magistério em 1984, na Escola da Comunidade Divinense. Trabalhei na área até assumir concurso público no Banco do Estado de Minas Gerais – BEMGE. Sou fã da profissão e amo ver a vocação nos ideais de jovens, como a Laurinha Breder. Ela escreveu: 

Para aqueles que nos criticam por ser professor ou por estar estudando para ser um professor, pense bem, a nossa profissão é que gera todas as outras. Acha que ser médico é um ótimo emprego? E se não fosse o professor, existiria o médico ? Claro que não, então em vez de criticar, parabenize uma pessoa que em meio a tantas profissões a escolher ele preferiu ensinar, educar, alfabetizar e principalmente letrar as pessoas !

Seu post no facebook me emocionou muito, porque um dia eu tive que abandonar minha vocação – e ainda construir outra vocação, novinha em folha, para trabalhar como bancária. Sucesso!


Izaída Stela do Carmo Ornelas


quinta-feira, 24 de julho de 2014

NUVEM NEGRA







Nuvem negra é, para muitos, uma expressão amedrontadora. Afinal, nuvens negras escondem o sol com maior facilidade. Adia-se a luz do sol. Nos desenhos animados, elas sempre acompanham as pessoas de mau humor!
Personagens reais também se fazem acompanhar dessa atmosfera. Há alguns dias, uma amiga me confidenciou a dificuldade que teve em desempenhar seu trabalho. Chegou mesmo a pedir demissão, por causa de uma “nuvem” dessas. Sua alegria incomodava a chefia/nuvem, ao mesmo tempo em que o bom relacionamento entre ela e a clientela atendida eram sempre alvo de inveja e ciúmes. No entanto, ela percebia o quanto era importante receber as pessoas – principalmente as - doentes com otimismo, com prazer (ela trabalhava no atendimento à saúde). Fora do ambiente de trabalho, sentiu-se aliviada: foi vencida pelos raios e trovões que a nuvem lhe dirigia. Assim como acontece com o tempo meteorológico, procurou um outro lugar pra iluminar. E, com suas características pessoais, encontrou rapidinho! Quem saiu perdendo?...
O parente, o colega de trabalho, o conhecido, o chefe, o vizinho, enfim... o tipo “nuvem negra” faz com que o dia esteja sempre entristecido. É pesado, ameaçador, deprimente. Impede muito crescimento.
Como será que estamos nos apresentando para nossos semelhantes? Somos nuvens negras ou esculturas de sonho no céu? E como perdemos oportunidades de receber luz do outro, expulsando o sol de novas convivências, de novos aprendizados!
Mas não podemos nos esquecer de que as nuvens de chuva sempre são escuras. É nelas que se esconde o sustento das sementes. São oportunidades para o exercício de posturas importantes: paciência, empatia, discernimento. Depende da maneira que as entendermos.



Izaida Stela do Carmo Ornelas





sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A INTELIGÊNCIA DOS ESPÍRITOS



A INTELIGÊNCIA DOS ESPÍRITOS


Duas coisas me enchem a mente de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado sobre mim e a lei natural dentro de mim.”
                                                        Immanuel Kant (1724-1804)


Allan Kardec, ao instituir a ciência espírita, deixou um legado incomparável à humanidade. A cada dia, novas nuances do conhecimento por ele revelado se tornam visíveis, ou melhor, se tornam perceptíveis ao estudioso que se propõe a investigar essa verdadeira herança cristã.
Sua obra partiu da observação do fenômeno das mesas girantes, cuja causa – provou-se – era um princípio racional inteligível. Suas constatações o levaram à publicação dos resultados verificados. Lançado em 1857, O Livro dos Espíritos está dividido em quatro partes, que se desdobraram nos livros que se seguiram a ele. A saber: A Gênese, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Céu e o Inferno.
Acredito que, no futuro, cada linha da codificação kardequiana seja a semente de um novo livro, tal a implicação semântica e tal inspiração hermenêutica. Da exegese do espiritismo, novas luzes são acesas, novas candeias se impõem, permitindo o avanço do homem, em sua caminhada à Divindade.
No caso do estudo da Inteligência, frisamos a estreita vinculação da mesma aos princípios chamados por Kardec de “leis morais”, subdividindo os tipos de inteligência humana de acordo com a proposta do codificador. Assim, a terceira parte do Livro dos Espíritos tem seu desdobramento no Evangelho Segundo o Espiritismo e compõe uma perspicaz dissecação dos caracteres desejáveis ao aprendizado, discriminados em dez leis.
A idéia de multiplicidade das inteligências foi colocada sob forma de Teoria por Howard Gardner, no livro Estruturas da mente: Teoria das Inteligências Múltiplas, lançado no Brasil em 1994. De lá para cá, a teoria do psicólogo americano, que propõe a existência de um espectro de inteligências a comandar a mente humana, suscitou muitos comentários, contrários e favoráveis. Da mesma forma, exigiu novos olhares e novas posturas aos educadores e estudiosos.
De acordo com Gardner, estas seriam nossas sete inteligências:
Lógico-matemática: capacidade de realizar operações matemáticas e de analisar problemas com lógica. Matemáticos e cientistas têm essa capacidade privilegiada.
Lingüística: habilidade de aprender línguas e de usar a língua falada e escrita para atingir objetivos. Advogados, escritores e locutores a exploram bem.
Espacial: capacidade de reconhecer e manipular uma situação espacial ampla ou mais restrita. É importante tanto para navegadores como para cirurgiões ou escultores.
Físico-cinestésica: potencial de usar o corpo para resolver problemas ou fabricar produtos. Dançarinos, atletas, cirurgiões e mecânicos se valem dela.
Interpessoal: capacidade de entender as intenções e os desejos dos outros e, conseqüentemente, de se relacionar bem com eles. É necessária para vendedores, líderes religiosos, políticos e, o mais importante, professores.
Intrapessoal: capacidade de a pessoa se conhecer, incluindo aí seus desejos e de usar essas informações para alcançar objetivos pessoais.
Musical: aptidão na atuação, apreciação e composição de padrões musicais.

Atualmente, Gardner admite a existência de uma oitava inteligência, a naturalista, que seria a capacidade de reconhecer objetos na natureza, e discute outras, a existencial ou espiritual e até mesmo uma moral – sem, no entanto, adicioná-las às sete originais.
Acredito que as inteligências descritas por Gardner perpassam as diferentes inteligências morais e, assim sendo, se integram perfeitamente ao panorama intelectual aqui proposto. Neste contexto, entende-se também a pluralidade de existências, a reencarnação, como fonte de faculdades intelectuais.
O objetivo intelectual humano deve ser compreendido sob forma ampla. Ora, a Inteligência dos Espíritos de desdobra em dez espécies de habilidades, vinculadas às leis morais e tal desdobramento serve para explicar os diversos campos que o ser humano deve desenvolver em si para construir convenientemente sua evolução e para melhor conduzir o processo evolutivo de si, em relação aos outros.
A cada uma delas está vinculada uma habilidade específica, que se apresenta como ferramenta indispensável de progresso pessoal e de sustentáculo ao progresso coletivo. Assim, todo conhecimento, como pré-requisito à evolução humana, está inscrito na lei natural.
A concepção espírita da educação, baseia-se nas 10 leis morais, divisões da lei natural básica, explanadas por Kardec no Livro dos Espíritos:
1. a lei de adoração, que coloca valor da prece, aproximando o homem de Deus;
2. do trabalho, segundo a qual o esforço do indivíduo é uma necessidade do corpo, tanto quanto do espírito;
3. de reprodução, tratando da educação sexual, inclusive;
4. de conservação, caracterizando o equilíbrio necessário – material e espiritual – para o progresso;
5. de destruição, onde nada se cria e tudo se transforma;
6. de sociedade, da impossibilidade do homem sobreviver sem outros;
7. do progresso, que é a evolução compulsória dos seres;
8. da igualdade, como filhos do mesmo Pai, embora diferentes;
9. da liberdade, que é um diferencial dos homens;
10. de justiça, amor e caridade, ou seja, da promoção do Bem.

Aplicados à educação, tais preceitos visam, em primeiro lugar, à criação de homens de bem. Incluem um convite à reflexão de nossos educadores de suas próprias concepções no que diz respeito aos preconceitos e às diferenças. A máxima do Cristo - “faça ao próximo aquilo que você gostaria que fizessem a você” - resumiu a Didática Espírita.
O indivíduo, por ser um princípio inteligente criado por um desejo/pensamento de Deus, traz em si o gérmen de cada uma dessas dez inteligências, a ser desenvolvido através de suas experiências reencarnatórias. O buril: a Boa Nova.


I – A INTELIGÊNCIA DE ADORAÇÃO

Reconhecei o homem pela faculdade de pensar em Deus.” Questão 592 do Livro dos Espíritos
Os limites de linguagem impõem os limites do pensamento, ensinou o pensador Ludwig Wittgenstein (1889-1951). Embora negasse a existência das leis naturais, o filósofo acenou para a impossibilidade de entender o mundo sem a linguagem enquanto ferramenta. Para nós, divina ou profana, a linguagem do pensamento é o que difere, a princípio, o homem do animal e coloca a chave na ignição de seu processo evolutivo.
A maior dificuldade da maioria dos seres humanos é com relação à oração. Por isso as fórmulas decoradas predominam. A conversa direta e franca com o Criador é, para a criatura, muito difícil. A linguagem mais importante, para a inteligência real, fica, assim, em último plano. Dominando a ligação direta com o Criador, o homem aprende a expandir seu pensamento: “o pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação muito além dos limites da nossa esfera corporal”, apurou Kardec, na questão 662.
Vejamos a adoração com um olhar ampliado. Ela está contida, por sua importância, no primeiro mandamento: “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças” (Marcos, 12:30). Pelo primeiro tipo de inteligência, submisso à Lei de adoração, temos que o homem aprende a utilizar seu pensamento em direção à Divindade, quando aprende a dominar sua linguagem. Mas o que significa isso? O domínio da linguagem vai além do domínio da língua, propriamente dita. O objetivo desse tipo de inteligência é levar o homem a perceber que todo gesto é linguagem, toda manifestação instintiva é linguagem... E, portanto, uma forma de adoração, de agradar ao Criador.
Mais tarde, a criança vai descobrindo suas formas de interação, que o adulto desenvolve... E assim sucessivamente. Até que a prece se transforme em linguagem primordial. Parte da habilidade intrapessoal gardneriana e avança...
Um exemplo de predomínio da inteligência de adoração é o caso do mestre que consegue dominar seu pensamento enquanto energia e trabalhar com ele. Conta-se que o mestre zen estava doente, gravemente enfermo, e precisava de intervenção de emergência. Entretanto, ele pediu aos médicos que lhe dessem uma noite em meditação, antes de qualquer outra providência. Depois da noite inteira meditando, “milagrosamente”, ficou curado. Indagado pelos médicos, explicou que havia feito um ajuste de sintonia na vibração de seu corpo físico. Foi como se estivesse afinando um instrumento...
Personalidades que melhor traduzem o predomínio da habilidade de adoração: Dalai Lama, Chico Xavier, Sai Baba. São pessoas que se concentram em falar e, principalmente, em ouvir. Porque a consciência de adoração dá a eles a faculdade de sondar a resposta de Deus através do outro, seu interlocutor. Estão sempre procurando – e encontrando – os sinais de Deus no seu próximo.
Conclui Aristóteles que ‘só há um princípio motor: a faculdade de desejar’.
Como desenvolvê-la: reconhecendo em si a centelha divina, que é nosso princípio, colocando-a em sintonia com o Todo, aumentando sempre e mais a sua luz.
É o primeiro dos mandamentos: Amai a Deus sobre todas as coisas, com  todo o teu coração, todas as tuas forças, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!


II – INTELIGÊNCIA DO TRABALHO

Ocupar-se. Estar em ação. Praticar o amor cristão: ver, agir, transcender. Trabalhar em si, da mesma forma e na mesma medida em que trabalhar pelo próximo.
O preceito religioso de que um homem deve mostrar sua fé por meio de suas obras vale também na filosofia natural. Também a ciência deve ser conhecida pelas obras. É pelo testemunho das obras, e não pela lógica ou mesmo pela observação, que a verdade é revelada e estabelecida. Decorre disso que o melhoramento da mente de um homem e o melhoramento de sua condição são a mesma coisa”, assevera Francis Bacon (1561-1626)
A inteligência do trabalho é aquela que compreende e põe em prática os 99% de esforço einsteniano, em contrapartida ao 1% de inspiração. Já foi descrita pela corrente interacionista, através do “aprender a fazer, fazendo” e implementada pela Escola Ativa. 
Fazer é a ponte indispensável entre o conhecer e o vencer, entre o saber e a sabedoria”, ensina Lucius, através da mediunidade de André Luiz Ruiz.
Minha avó dizia que ‘serviço de criança é pouco, mas quem desperdiça é louco’. Sábias palavras. Não se trata de abusar dos esforços de ninguém, mas de ensinar o prazer do esforço em busca de uma conquista. O objetivo pode ser tanto uma cozinha limpa, com louças lavadas, quanto um caderno passado a limpo; a satisfação que vem com o término daquela etapa aproxima o indivíduo do Bem.
Na questão 676 do Livro dos Espíritos, Allan Kardec frisa: “sem o trabalho, o homem permaneceria sempre na infância, quanto à inteligência”. Ajuda-te e o céu te ajudará. Desperdiçar oportunidades de ensinar é loucura e desperdiçar oportunidades de aprender, também. Sempre.
Todos nós conhecemos aquela pessoa dos tempos da Escola que não tinha tantos talentos em termos de raciocínio lógico, de dedução, nem predomínio de boa memória, mas que conseguiu se formar e obter êxito através da perseverança, da persistência, ou seja, do trabalho incessante. São pessoas que trabalham até suas dificuldades!
De acordo com Emmanuel, pela psicografia abençoada de Chico Xavier, “o teu trabalho é a oficina em que podes forjar a tua própria luz”. Assim seja! É pelo trabalho que podemos suprir a maioria das carências de outros tipos de inteligência. Dá pra construir um pouco de cada uma delas pelo esforço pessoal, orientado pela meta de perfeição.
Paralelamente ao trabalho, o repouso também é necessário, para que a força criativa – que não deixa de ser uma forma de trabalho – seja exercitada, enquanto a matéria se refaz do esforço laboral.
Também cumpre lembrar o mau uso que é feito do trabalho enquanto punição, o que afasta a criança do sentido real de esforçar-se. Colocar o trabalho como um castigo é de uma inutilidade tamanha e pode ter conseqüências funestas.
Exemplos de personalidades desenvolvidas em inteligência do trabalho: Albert Einsten, Thomas Edison.


III – INTELIGÊNCIA DA REPRODUÇÃO

Escolher nosso parceiro(a), compreendendo as conseqüências de nossa escolha no ciclo evolutivo de cada um, é tarefa das mais difíceis, quando não se domina esse tipo de inteligência. Envolve o conhecimento da lei de amor, para que não se caia nas armadilhas armadas pela confusão entre amor e outros sentimentos de “menor pureza” como a paixão. As conseqüências vemos todos os dias: depressão, divórcio, aborto... Estamos aqui para entender as causas.
Emmanuel ensina que existe sempre uma conseqüência da utilização de uma energia. No caso da energia sexual, ele diz, textualmente: “criatura alguma, no plano da razão, se utiliza da energia sexual, nas relações com outra criatura, sem conseqüência feliz ou infeliz, construtivas ou destrutivas, conforme a orientação que se lhe dê”.(no livro Vida e Sexo, pela mediunidade de Chico Xavier, 1988) E quando Emmanuel escreve o termo ‘em relação com outra criatura”, entenda-se tanto a criatura encarnada, quanto o desencarnado que porventura esteja nesta relação.
Então, a habilidade reprodutiva inclui a utilização responsável de todas as energias envolvidas: sexuais (físicas ou espirituais) e morais, em consonância com os ditames de Jesus. O indivíduo que domina a inteligência da reprodução consegue uma família na verdadeira acepção do termo: na carne e no espírito.
A figura bíblica que melhor exprime um inteligente reprodutivo é José, o pai de Jesus. José aceitou o desafio de acolher Maria, sabendo dos riscos de falatórios e de preconceitos comuns a sua época. Como o mundo seria, se José não fosse um espírito avançado em inteligência reprodutiva? As conseqüências seriam, talvez, nefastas. E as escolhas inteligentes continuam não sendo assim tão fáceis de serem tomadas!
Vamos pensar: se o espírito que está destinado a desenvolver a cura da Aids ou do câncer for vinculado ao fruto de um estupro... Se a criança encarregada de cuidar de você for aquela que você não aceitou e doou... Se a energia destinada pelo indivíduo à paixão desenfreada e seus “companheiros” – ciúme, embates, tramas – for canalizada para outras atividades criadoras como a música, a literatura, a pintura...
Como desenvolvê-la: incentivando o indivíduo a perceber que existem muitas nuances a serem observadas num envolvimento afetivo-sexual. O prazer imediato não convém, quando se leva em conta suas conseqüências e as inúmeras possibilidades que se abrem ao inteligente em reprodução.


IV - INTELIGÊNCIA DE CONSERVAÇÃO

Um homem não sente dificuldade em caminhar por uma tábua enquanto acredita que ela está apoiada no solo; mas ele vacila – e afinal despenca – ao se dar conta de que a tábua está suspensa sobre um abismo.” Avicena (980-1037)
O instinto de conservação é, aos poucos, substituído pela inteligência, à medida em que a razão passa a atuar junto à ação conservadora.
Preservar a si e ao próximo significa mais do que fugir ao perigo iminente e buscar subsistência física. Preservar-se moralmente e espiritualmente também faz parte do processo desse tipo de inteligência.
A vida sem abusos e sem excessos é a meta. Daí os primeiros homens serem também exímios esportistas, num primeiro momento, quando a conservação de si predomina.  Depois estes passaram, gradualmente, à percepção da conservação coletiva.
Ecologistas e cientistas sociais pertencem a esse segundo subgrupo, caracterizado principalmente por perceberem de forma ampliada o que Kardec expôs na questão 707, do Livro dos Espíritos, donde se destaca: “A natureza não pode ser responsável pelos defeitos da organização social, nem pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio”.
Os inteligentes em conservação pensam tudo sob formas variadas. Lembrando o pensamento de Avicena, no início deste tópico, os inteligentes em conservação pensam problemas e situações como se a tábua estivesse no ar, mesmo que ela esteja na terra. E vice-versa.
Desse pensar, vai-se desenvolvendo um modo racional de enfrentamento, ou melhor, de posicionamento junto aos possíveis usos da matéria que nos constitui e constitui nosso planeta.
Conservar consiste, inclusive, em asseio mental. Não se trata de “varrer” o mal, mas de transformar o mal em bem; o mau em bom; o sofrimento em aprendizado... A reciclagem vai além das coisas materiais, passando por nossos sentimentos. A ferramenta, aí, é o perdão a si e ao outro, na superação do passado, liberando energias para o feitio do presente.
O sofrimento não é a Lei. A Lei é clara desde Oséias capítulo 6, versículo 6, até Mateus 9, 13. Misericórdia quero, não o sacrifício, orientou Jesus. Não sofrer e não fazer sofrer. Porque misericórdia maior, para todos, está em expurgar o orgulho e o egoísmo, pensando no próximo, respeitando o ar, o solo, a água, as plantas e os animais como criações de Deus, moradas do Desejo Dele, um pensamento do Criador, que chamamos de Princípio.
  

V – INTELIGÊNCIA DE DESTRUIÇÃO

Os que não crêem em sua imortalidade fazem justiça a si mesmos!” Robespierre (1758-1794)
Temos mesmo que ter coragem pra admitir a necessidade natural de refazimento de nós mesmos. Apesar da ciência nos demonstrar que nossas células se renovam e que nosso corpo não é o mesmo a curtos períodos de tempo, relutamos em aceitar a informação.
E ao contrário do que parece, o indivíduo menos privilegiado com esse tipo de inteligência é aquele mesmo que promove guerras, crueldades e violências, colocando-se ao extremo da carência dessa habilidade. São os defensores da pena de morte, os suicidas, os vingadores em geral.
Pessoas que têm o domínio da inteligência de destruição, ao contrário de serem destrutivas, são as mais abertas ao novo! Conhecem a verdade de se ter espaço para que boas coisas venham a habitar nelas mesmas. Geralmente são pessoas empreendedoras de sucesso, começando com pouco mais que sua inteligência de destruição. Reconhecem que não irão para trás, visto que já estão lá. Como já possuem o NÃO, correm atrás do SIM que irá modificar sua trajetória. São humildes, pacifistas e racionais.
O que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e a melhoria dos seres vivos”. Allan Kardec, na questão 728, assim resume a definição de destruição.
Steve Jobs e muitos outros visionários souberam como reconhecer oportunidades pela visão privilegiada que têm/tiveram da destruição. Ele dizia que os sonhos abandonados são pedaços de futuro que deixam de existir, ao mesmo tempo em que teve que abandonar muitas de suas “certezas” pra que seu futuro pessoal pudesse existir.
A própria vida já começa com a seleção natural. Quantos espermatozóides pereceram para que houvesse cada ser humano? Indo um pouco além, quantas Izaídas já deixaram de existir, que eu abandonei (ou mesmo destruí) ao longo de minha vida, pra que minha evolução se processasse. Tratamos de morrer para que o homem novo, ao qual Jesus se referia, tenha vida plena.
Vários pensadores já se referiram a essa habilidade de destruição:
Você não conseguirá pensar decentemente se não quiser ferir-se a si próprio.” Ludwig Wittgenstein (1889-1951)
Pessoas que superam perdas de entes queridos exemplificam esse grupo, pessoas que vão do luto à luta, como Cleyde Prado Maia Ribeiro, mãe da menina Gabriela, criadora do Movimento Gabriela Sou da Paz. São muitas mães e muitos pais. Também pertencem aos seletos inteligentes da destruição aqueles que sofreram algum tipo de mutilação e partiram pra reverter a destruição em construção e progresso, como o fizeram muitos dos nossos atletas paraolímpicos, inclusive.
Ativistas que lutam contra a pena de morte também estão inseridos neste grupo.
Ainda sobre a inteligência da destruição, tratamos de aceitar a destruição de nossas convicções, em busca de melhores condições mentais. Também cumpre haver coragem para ouvir, sem preconceitos, analisar nossos “destroços” com bom senso e trabalhar sempre, no sentido de maiores conquistas espirituais.
Pense nisso:
Quem não ouve o que o contraria, não se liberta da ilusão que o aprisiona”. Dr. Inácio Ferreira, pela obra de Baccelli.


VI – INTELIGÊNCIA DE SOCIEDADE

A primeira relação social do indivíduo deve ser sua relação com Deus: a primeira sociedade verdadeira.
 Da comunicação com o Pai, sucede a comunicação com a família e, posteriormente, com a comunidade. Esse tipo de inteligência muito se aproxima com a inteligência interpessoal descrita por Gardner (1994), porém exige do indivíduo o concurso de quase todas as outras habilidades gardnerianas para que se desenvolva de modo conveniente.
Aprendemos em relação com os outros: exemplos, palavras, livros... Daí a importância da família, da escola, da sociedade, dos grupos onde se exercita a comunicação, onde o indivíduo pode aprender analisando, comparando, ouvindo e também ensinando.
A construção conjunta de si mesmo é lição que o homem sorve com maior proveito. E construir-se enquanto ampara o próximo, por sua vez, em sua empreitada vizinha, tem maior valor evolutivo. A habilidade maior do inteligente em sociedade consiste na humildade.
Podemos considerar a Lei de sociedade por dois ângulos distintos: é uma Lei de laços, enquanto houver amor no processo social; não havendo amor, passará a uma Lei de nós, prendendo o indivíduo até que ele aprenda... Em suma, esta é sempre uma lei de ação e reflexão, pois o sujeito se reconhece e se reflete na sociedade em que habita.
Willian (Bill) Grifith Wilson e Robert Holbrook, os fundadores dos Alcoólicos Anônimos (AA) exprimem perfeitamente a idéia de inteligentes sociais. Defensores dos direitos dos índios, como os irmãos Villas-Boas, idem.


VII – INTELIGÊNCIA DE PROGRESSO

Para mim, a existência eterna de minha alma é demonstrada por minha idéia de atividade. Se eu trabalhar incessantemente até minha morte, a natureza estará fadada a me conceder uma outra forma de existência, quando a atual não mais puder sustentar o meu espírito.” Goethe (1749-1832)
A questão 692, do Livro dos Espíritos, diz: “Tudo se deve fazer para chegar à perfeição e o próprio homem é um instrumento de que Deus se serve para atingir os seus fins. Sendo a perfeição a meta que tende a Natureza, favorecer esta perfeição é corresponder às vistas de Deus”.
Embora a resposta citada esteja relacionada por Kardec no capítulo da lei de reprodução, tal colocação se vincula tanto à lei de progresso, quanto a outras leis, como a lei de conservação e de sociedade. Favorecer a perfeição de si e do próximo...
A mediunidade faz parte da inteligência de progresso, visto que somente a verdade promovê-la. Grandes progressos no mundo foram promovidos através da mediunidade: as tábuas da Lei de Moisés, contendo os dez Mandamentos, são um exemplo e tanto! Também exemplos menores, visões que mudaram o rumo das coisas, os sonhos premonitórios, insights, etc. É esta uma das formas pelas quais os espíritos superiores podem auxiliar em nossa evolução.
Inteligentes acerca do progresso são aqueles que aliam amor e conhecimento, na promoção do bem comum. Dominam tecnologias com alto senso de moralidade. Geralmente são inventores devotados, comprometidos com a melhoria da humanidade. Sir Tim Berners-Lee, criador na internet, faz parte desse grupo, juntamente com Gutemberg, inventor da impressão tipográfica.
Nas fileiras espíritas, destaca-se Kardec. Afetivamente, destaco as escritoras Amália Domingo Soler e Wera Krijanowskaia, que se projetaram à frente de seu tempo, tornando-se luz radiosa ante as mulheres espíritas de hoje.
A construção do progresso é, assim, uma empresa de visionários. Do tipo que sonha sem restrições e que não reconhece o impossível.


VIII – INTELIGÊNCIA DE IGUALDADE

Nenhum mármore existe mais puro e mais formoso do que o do sentimento, e nenhum cinzel é superior ao da boa vontade.” Jesus (conforme psicografia de Chico Xavier, na obra Boa Nova)
Sentir-se igual e desejar que esse sentimento tão bom inunde a todos, eis a condição da pessoa hábil em inteligência de igualdade. Mesmo com poucos recursos, ele tende a conseguir a promoção da igualdade, com consequente supressão de desigualdades.
Tudo o que Deus faz é justo e bom. Por isso, as desigualdades são facilmente inteligíveis, apenas sob a perspectiva da reencarnação, como forma de resgate de dívidas, ou como provas evolutivas. Entretanto, omitir-se no auxílio do próximo, utilizando-se dessa “desculpa”, não serve à evolução do homem. Quem ajuda, prova sua boa intenção e quem recebe, prova sua humildade. Há muito mérito nisso e onde há mérito, ali Deus está.
Pobre e rico; mulher e homem; forte e fraco; inteligente e não-inteligente são desigualdades muito relativas. Estão em nosso caminho para aprendermos: com o cinzel da boa vontade, “tirar da pedra” nossa porção divina. Somos todos iguais, criados à imagem e semelhança de Um. E nas diversas existências, os papéis se invertem, estabelecendo em nós a verdade da igualdade.
Nascemos irmanados. Vivemos eternamente irmanados. Poucos o percebem e menos ainda vivem de forma plena, conforme essa percepção. Entretanto, quando percebemos que nossa imagem é a imagem de Deus, revelada através do ciclo das reencarnações, aprendemos a verdadeira essência da igualdade.
O maior exemplo dessa habilidade é Madre Teresa de Calcutá, trabalhadora incansável no bem. Merece destaque também o sociólogo Betinho – Herbert de Souza -, criador da campanha brasileira de combate à fome. Estes já contavam em seu ‘subconsciente’ com a inteligência gardneriana lógico-matemática, intrínseca, capaz de garantir suas empresas e de viabilizar seus projetos. Você pode chamar de honestidade a alavanca desses inteligentes! Também seu carisma superava a noção de inteligência interpessoal...


IX – INTELIGÊNCIA DE LIBERDADE

Uma pessoa comum maravilha-se com coisas incomuns; um sábio maravilha-se com o corriqueiro.” Confúcio (551-479 a.C.)
Liberdade é como o poeta Vicente de Carvalho encontrou a felicidade: nunca a pomos onde estamos. Bastaria escolher colocá-la onde estivermos. Apesar de termos a liberdade para isso, na maioria das vezes, escolhemos diferente. Isso acontece porque ainda não aprendemos... Não a ser felizes, mas, antes, não aprendemos a ser livres! Aprender a ser livre é um delicado processo interior, que começa na liberdade de pensar.
Posso pensar o que eu quiser, mas as consequências de minha escolha serão “colheitas obrigatórias”. De acordo com o que pensamos, podemos fugir de várias armadilhas: Não escravizar a si mesmo (depressão) e nem ao outro (opressão).
Também é preciso evitar a escravidão emocional, que tanto pode gerar em mim a dependência do outro, quanto fazer com que o outro fique dependente de mim. Dar liberdade é promover liberdade. Geral.
Tratamos aqui de conhecer-se, para ser livre, e não julgar, para libertar.
Aquele que promove a liberdade com inteligência o faz por meios pacíficos, como a resistência de Gandhi, nó processo de independência da Índia.
Disciplina, afinal, como dizia Renato Russo, é liberdade. Em outras palavras, é a melhor utilização de nosso livre arbítrio.
Ilustrando esse tipo de inteligência, um conto:

SORRISO
                                     
Ela sorriu para um desconhecido triste.
O sorriso pareceu fazê-lo se sentir melhor.
Ele se lembrou de gentilezas feitas por um amigo no passado e escreveu-lhe uma carta de agradecimento.
O amigo ficou tão contente com o agradecimento, que deixou uma grande gorjeta depois do almoço.
A garçonete, surpresa com o tamanho da gorjeta, apostou toda a quantia na loteria.
No dia seguinte, recolheu seus ganhos e deu parte deles para um homem na rua.
O homem ficou agradecido, pois havia mais de dois dias que não comia.
Depois de terminar seu jantar, dirigiu-se a seu quartinho sujo.
(Naquele momento ele não sabia que corria perigo de vida.)
No caminho, recolheu um cachorrinho que tremia e levou-o para se aquecer em casa.
O cachorrinho ficou muito agradecido por estar ao abrigo da tempestade.
Naquela noite a casa pegou fogo.
O cachorrinho deu o alarme, latiu até acordar a casa inteira e salvou todo mundo.
Um dos meninos que escapou do incêndio virou um bom presidente quando cresceu.
Tudo isso por causa de um simples sorriso.

  Barbara Hauck (Apud. Canfield)

Livre é a semeadura... Somente a colheita é obrigatória.


X -  INTELIGÊNCIA DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE

O amor verdadeiro e sincero nunca espera recompensas. A renúncia é o seu ponto de apoio, como o ato de dar é a essência de sua vida. A capacidade de sentir grandes afeições já é em si mesma um tesouro. A compreensão de um amigo deve ser para nós a maior recompensa. Todavia, quando a luz do entendimento tardar no espírito daqueles a quem amamos, deveremos lembrar-nos de que temos a sagrada compreensão de Deus, que nos conhece os propósitos mais puros. Ainda que todos os nossos amigos do mundo se convertessem, um dia, em nossos adversários, ou mesmo em nossos algozes, jamais nos poderiam privar da alegria infinita de lhes haver dado alguma coisa!...
Jesus (conforme psicografia de Chico Xavier, na obra Boa Nova)

Jesus apresenta a Pedro a maior alegria: a alegria de fazer um amigo feliz. Tratava-se de uma idéia que Pedro e seus contemporâneos “davam conta” de entender. Entretanto, é chegado o tempo em que o Consolador vem e te convida a encontrar alegria maior ainda em fazer a felicidade do inimigo!
Justiça e caridade são apêndices do amor. Justiça verdadeira é amor puro. Trata de promover o amor e a felicidade de todos. Exige a ousadia de fazer nosso inimigo feliz.
Conta-se que havia uma senhora que vivia falando mal do Chico Xavier. O Chico ficava muito triste com isso, quando veio Emmanuel e disse pra ele descobrir qual era o maior desejo daquela senhora. Chico logo ficou sabendo que a tal senhora desejava muito uma máquina de costura e foi contar a Emmanuel. O sábio companheiro espiritual logo sugeriu: “Vá, Chico, compre uma máquina e dê o presente pra ela”. O obediente Chico, à custa de seus pequenos vencimentos, parcelou num carnê a idéia do amigo. Qual não foi sua surpresa quando a ranzinza senhora foi visitá-lo, constrangida e transmutada! Eis uma felicidade! A justiça, o amor e a caridade, de mãos dadas, exultaram. A maior coragem consiste em fazer um inimigo feliz! Haja coragem! Mas, no final, quantas bênçãos!
Esta lei é uma verdadeira “lei de responsabilidade”, um verdadeiro “Código de defesa do consumidor” do universo. Afinal, o mero cumprimento de leis humanas não faz ninguém HOMEM. Assim sendo, reverte-se a justiça do olho por olho, evoluída no sentido de assumir suas feições misericordiosas. “Misericórdia quero, não o sacrifício”, relembramos.
Promover justiça é algo mais do que promover direitos: é promover o respeito à integralidade do homem, do meio ambiente, enfim, de toda a Criação. É promover a esperança.
Encontramos muitas pessoas e entidades engajadas na inserção de ex-presidiários no mercado de trabalho, em promoção de justiça com vistas à esperança e ao progresso. São inteligências a favor da justiça real.
O homem ainda precisa aprender que a maior expressão justiça é o perdão. Quem perdoa pratica justiça ampla a si, ao outro e ao seu entorno. O perdão ecoa mais que a vingança, por ser pura luz lançada à direção do Criador. É também a maior caridade, que abre as portas e liberta...
 “Lembra-te da esperança para que a tua caridade não se faça incompleta”, assevera Emmanuel. Desta forma, a maior prova de caridade e de incentivo da justiça e do amor, é inspirar esperança. Inspirando esperança, tudo passa a ser possível.
Um exercício final:
Feche os olhos. Respire. Inspire esperança, expire amor....
Inspire Alegria, expire felicidade para todos...
Escolha suas palavras...
Sinta cada uma de suas palavras...
Acredite em tudo o que recebe e deseja...
Receba e doe...
Eis ESPERANÇA.


A EDUCAÇÃO DOS ESPÍRITOS

A questão 917 do Livro dos Espíritos inquire acerca da maneira de destruir o egoísmo. Em nota à questão, os espíritos apontam a Kardec o caminho:
Louváveis esforços indubitavelmente se empregam para fazer que a Humanidade progrida. Os bons sentimentos são animados, estimulados e honrados mais do que em qualquer outra época. Entretanto, o egoísmo, verme roedor, continua a ser a chaga social. É um mal real, que se alastra por todo o mundo e do qual cada homem é mais ou menos vítima. Cumpre, pois, combatê-lo, como se combate uma enfermidade epidêmica. Para isso, deve-se proceder como procedem os médicos: ir à origem do mal. Procurem-se em todas as partes do organismo social, da família aos povos, da choupana ao palácio, todas as causas, todas as influências que, ostensiva ou ocultamente, excitam, alimentam e desenvolvem o sentimento do egoísmo. Conhecidas as causas, o remédio se apresentará por si mesmo. Só restará então destruí-las, senão totalmente, de uma só vez, ao menos parcialmente, e o veneno pouco a pouco será eliminado. Poderá ser longa a cura, porque numerosas são as causas, mas não é impossível. Contudo, ela só se obterá se o mal for atacado em sua raiz, isto é, pela educação, não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres, como se conhece a de manejar as inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo que se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profunda observação. É grave erro pensar-se que, para exercê-la com proveito baste o conhecimento da Ciência. Quem acompanhar, assim o filho do rico, como o do pobre, desde o instante do nascimento, o observar todas as influências perniciosas que sobre eles atuam, em conseqüência da fraqueza, da incúria e da ignorância dos que os dirigem, observando igualmente com quanta freqüência falham os meios empregados para moralizá-los, não poderá espantar-se de encontrar pelo mundo tantas esquisitices. Faça-se com o moral o que se faz com a inteligência e ver-se-á que, se há naturezas refratárias, muito maior do que se julga é o número das que apenas reclamam boa cultura, para produzir bons frutos.


 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A humanidade capitalista moderna tende a dividir tudo, como se isso fosse possível. Escola e casa, educação e instrução, trabalho físico e mental, etc. Muito me entristece quando vejo a radicalização: “Escola ensina e família educa”. Minhas professoras muito me educaram, assim como meus pais muito me instruíram. Dessa divisão perversa do trabalho resulta a perda do sentido real de responsabilidade, de solidariedade, enfim, de amor ao próximo.
Quando vejo professores postarem nas redes sociais que seus alunos são transitórios... Chego a ficar arrepiada! Existem pessoas transitórias? Deus criou pessoas transitórias? São apenas corpos, do tipo descartável? Que tipo de ser é capaz de passar por um relacionamento de cerca de um ano com outro ser, em sala de aula, e não estabelecer vínculos afetivos? Que tipo de sentimentos são esses???
A resposta está no materialismo, que invade nossas mentes, nosso cotidiano, mesmo quando não nos damos conta disso. Sorrateiramente, começamos a tomar por verdades pressupostos absurdos como esses. Professores, pais, sociedade: Vigiai! Vamos nos observar melhor, para não cairmos nas garras da inconseqüência, para onde nos empurra a vertente materialista.
A divisão proposta por Gardner tem sua raiz no materialismo. Sua consideração parte do que a pessoa já domina, visando centrar nesse domínio o desenvolvimento, a vocação, o “destino”. A divisão kardequiana, pelo contrário, considera as habilidades como um conjunto de objetivos. Sob esse prisma, cumpre fazer “crescer” o que falta, utilizando o que já se tem.
Pensamos diferente, com a nova distribuição dos tipos de inteligência, vinculados ao espiritualismo e voltados à evolução integral do homem. Aqui existe esperança. Não há que esmorecer, visto que somente um encarnou em nosso planeta, dominando todos os tipos de inteligência aqui descritos: Jesus.
Na verdade, acredito que, no futuro, o ser humano já vai trazer em sua consciência (ou no subconsciente) todos os conhecimentos ligados a sua materialidade. Prontos para agir, como os instintos. Cálculo, códigos verbais e seus congêneres estarão inseridos na bagagem (perispiritual) da pessoa.
Além disso, as virtudes estarão, da mesma forma, arraigadas no ser. Quando estagiamos nos diversos reinos, tivemos que freqüentar verdadeiras escolas pra aprender a cultivar nossas células, a respirar, a utilizar nossos membros: o primeiro momento. Hoje não precisamos pensar: “vou digerir tal alimento” ou “tenho que respirar, tenho que inspirar, tenho que expirar’...
Quanta tranqüilidade nos traz a racionalização dos processos biológicos de nosso corpo! Quando pensamos intencionalmente nos movimentos de respiração... No gesto de ingerir água, pensar na água sendo absorvida pelo nosso organismo... Traz uma nostalgia que acalma. È um pequeno pedacinho de verdade, que liberta!
Esses processos, entretanto, são realizados cotidianamente por nosso corpo de maneira inconsciente! Eis o segundo momento: assim o será com os conhecimentos de que necessitamos para agir no mundo material. Nós os teremos já prontos pra uso, sem que haja necessidade de movê-los intencionalmente.
No terceiro momento, assim o será com os conhecimentos de que necessitamos para agir no mundo espiritual. Perdoar, amar, conviver, serão faculdades inatas, corriqueiras. Perdoaremos da mesma forma com que respiramos. É assim com os espíritos elevados. Só não podemos ainda entender isso tudo, porque não temos ainda evolução para tal.
Nas pesquisas realizadas, o autor que melhor traduziu – sinteticamente - o sentido do presente trabalho é Emmanuel, no livro A religião dos espíritos, conforme ditado a Chico Xavier:

Em verdade, o homem inteligente não é aquele que apenas calcula, mas sim o que transfunde o próprio raciocínio em emoção para compreender a vida e sublimá-la. Podendo senhorear as riquezas do mundo, abstém-se do excesso para viver com simplicidade, sem desrespeitar as necessidades alheias. Guardando o conhecimento superior, não se encastela no orgulho, mas aproxima-se do ignorante para auxiliá-lo a instruir-se. Dispondo de meios para fazer com que o próximo se lhe escravize ao interesse, trabalha espontaneamente pelo prazer de servir. E, entesourando virtudes inatacáveis,não se furta à convivência com as vítimas do mal, agindo, sem escárnio ou condenação, para libertá-las do vício, O homem inteligente, segundo o padrão de Jesus, é aquele que, sendo grande, sabe apequenar-se para ajudar aos que caminham em subnível, consagrando-se ao bem dos outros, para que os outros lhe partilhem a ascensão para Deus.”

Assim seja.



 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BACCELLI, Carlos. Na próxima dimensão. Obra mediúnica do espírito Dr. Inácio Ferreira. Uberaba: Leepp, 2002.
BÍBLIA SAGRADA. São Paulo: Edições Paulinas, 1975.
CANFIELD, Jack, M.V. Hansen e K. Kirberger. Histórias para aquecer o coração dos adolescentes. Rio de Janeiro: Sextante, 2002.
CARVALHO, Vicente. Velho Tema. Disponível em: http://www.releituras.com/vcarvalho_velhotemaI.asp Acesso em 27/08/2012.
GARDNER, Howard. Estruturas da mente: Teoria das Inteligências Múltiplas. São Paulo: Artes Médicas,1994.
GIANNETTI, Eduardo. O livro das citações: um breviário das idéias replicantes. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Distrito Federal: FEB, 1974.
RUIZ, André Luiz A. O amor jamais te esquece. Obra mediúnica do espírito Lucius. São Paulo: IDE, 2003.
XAVIER, Chico. A religião dos Espíritos. Obra mediúnica do espírito Emmanuel. Distrito Federal: FEB, 1960.
____________ Boa nova. Obra mediúnica do espírito Humberto de Campos. Distrito Federal: FEB, 1941.
____________ Caridade. Obra mediúnica do espírito Emmanuel. Distrito Federal: FEB, 1978.
____________ Vida e Sexo. Obra mediúnica do espírito Emmanuel. Distrito Federal: FEB, 1988.



Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior. A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.
Tenha a sabedoria superior. Seja um eterno aprendiz na escola da vida. A sabedoria superior tolera; a inferior, julga; a superior, alivia; a inferior, culpa; a superior, perdoa; a inferior, condena.
Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!
Chico Xavier


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

EXPERIÊNCIA DE NATAL





Pedro Nava dizia que a experiência é um farol que ilumina para trás...
Acredito que é somente olhando para trás que conseguimos entender como e por quê estamos aqui hoje. Esse entendimento me parece uma boa base pra nosso amanhã.
Por isso, esta história de Natal. Um natal distante no tempo, mas que se faz personagem, sob a luz do farol da experiência.
Noite de Natal...
Duas crianças pequenas e muitas contas pra pagar... Na quebradeira geral que a região cafeeira enfrentou, no final dos anos 80, estávamos incluídos. O menino maior cutucava o pé da mesa, cabisbaixo, ainda sentindo muito a morte de minha mãe, no final de novembro. O menor, sem compreender seu primeiro aninho, sorria um riso distante.
Então chegou o Papai Noel. Eles souberam disso apenas por um barulhinho  - tec, tec – no telhado. E logo encontraram um saco cheio de presentes: muitos pacotes coloridos!
Que maravilha! Feijão, açúcar, sardinha... Que delícia! Um pião, um carrinho, um pacote de macarrão...
- Faz pra gente, mãe, que é presente do Papai Noel!
E os olhinhos brilhavam, de encontro à fartura de uma compra de mês, misturada a brinquedos simples e a muito amor.
Uma caixinha de giz!
E o menino maior foi até o meio do quintal, escrever no cimento, bem grande:
“PAPAI NOEL OBRIGADO”
Meu presente estava ali.


Izaída Stela do Carmo Ornelas

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ação e reação

 


À arte de agir, corresponde a arte de reagir. E o que é reação? É a resposta a determinada ação. Quando uma pessoa “provoca”, ela o faz objetivando uma determinada reação do provocado. A reação que coincidir com o objetivo do provocador é a mais destrutiva possível. Cabe ao provocado quebrar o elo dessa reação em cadeia. Como? Simples!
Vejamos um exemplo: estou na fila do supermercado e uma mocinha “fura” a fila e começa a fofocar animadamente com a caixa atendente. Percebo que se trata de uma funcionária hierarquicamente superior, mas o assunto entre elas nada tem a ver com o trabalho. Eis a ação. A reação “normal” poderia ser encrencar, desistir da compra, chamar o gerente, etc. Optei por uma reação “anormal”: desatei a gargalhar. Isto mesmo. As funcionárias me olharam estupefatas. Completei: só podiam estar tentando me pregar uma peça!
E foi a vida que me ensinou. Num outro supermercado, tempos atrás, eu estava na fila para pesar legumes. Uma mulher fez menção de entrar na minha frente e, sem mesmo ter certeza de sua intenção, estampei no rosto aquela expressão de “afaste-se”. Meu carrinho estava cheio e a senhora tinha apenas uns dois itens a serem pesados. Para meu espanto, a mulher ajudou na pesagem de meus itens, pacientemente, com um belo sorriso nos lábios. Envergonhada, pensei: tenho de aprender com ela. Não sei de quem se trata, e espero que ela se veja aqui homenageada por sua lucidez e por sua luz. Meus agradecimentos.
Além disso, uma segunda lição foi aprendida: não me antecipar aos acontecimentos. Não pré-julgar. Não esperar sempre o mal, nem sempre o bem. Viver enquanto analiso, pois enquanto o sentimento está correndo em nossas veias, a aprendizagem acontece mais fácil.
Reações erradas são as reações que “o inimigo” deseja que tenhamos. Reações erradas permitem que nossos adversários triunfem e terminem por dominar completamente nossas vidas! Como é que uma pessoa inteligente não percebe isso? Porque é óbvio demais para que possamos perceber. 
O que nos cega é o mesmo princípio que nos impede de perceber constantemente nossa respiração ou as batidas de nosso coração. Infelizmente, as reações erradas são as mais corriqueiras, fazendo com que nos acostumemos com elas, assumindo nossa rotina e fazendo com que nos acostumemos com elas.

sábado, 25 de junho de 2011

Ética para todos


Amigos! É um dos e-mails mais verdadeiros que recebi! Gostaria de saber a autoria, para divulgar melhor!


Tá reclamando de quê?

" Tá " Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arruda? do Sarney? do Collor? Do Renan? do Palocci? do Delubio? Dos políticos de Brasilia? do Jucá? do Kassab? dos mais 300 picaretas do Congresso? E você? Brasileiro Reclama De Quê?

O Brasileiro é assim:

1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.

2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.

3. - Suborna ou tenta subornar, quando é pego cometendo infração.

4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.

5. - Fala ao celular enquanto dirige.

6. -Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.

7. - Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.

8. - Viola a lei do silêncio.

9. - Dirige após consumir bebida alcoólica.

10. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.

11. - Espalha mesas, churrasqueiras, nas calçadas.

12. - Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.

13. - Faz " gato " de luz, de água e de tv a cabo.

14. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, só para pagar menos impostos.

15. - Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda, para pagar menos imposto.

16. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.

17. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.

18. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.

19. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.

20. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.

21. - Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.

22. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.

23. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.

24. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.

25. - Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.

26. - Leva das empresas onde trabalha pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.

27. - Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.

28. - Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.

29. - Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.

30. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

31. - Pega o benefício do Bolsa Família e usa para esticar o cabelo ou pagar a conta do celular.

E quer que os políticos sejam honestos...

Escandaliza- se com a farra das passagens aéreas...Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo ou não? E foi esse mesmo povo quem os elegeram e sabendo que eram corruptos ou não? E em troca de alguns tijolos, telhas, cachaça...não? Brasileiro reclama de quê, afinal?

E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos umamudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!Vamos dar o bom exemplo!Espalhe essa idéia!

"Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos..."

A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A ESCOLHA DA FELICIDADE

Cada um escolhe uma palavra e nela deposita sua felicidade.
Pouca gente percebe isso claramente...
Tem gente que escolhe amor, compaixão, trabalho, prazer...
Numa palavra cabe toda uma felicidade.
Felicidade, alías, deveria ser um verbo.
Porque no princípio era o Verbo e o Verbo habitou entre nós...

Experimente olhar essa figura de cabeça para baixo...

Que palavra é a sua?

Qual é o verbo-comandante do seu dia-a-dia?
É inveja? Egoísmo? Orgulho?
A minha preferida, neste momento, é RESPEITO.
Escolhi RESPEITO pra dar e receber!
Tendo RESPEITO e - principalmente - sendo capaz de dar RESPEITO, estou feliz.
Ah! E no caso de não recebê-lo, ainda tenho minhas reservas pessoais e me faço meio-feliz, o que nos dias de hoje não é pouca coisa, não!
Mas nada impede que eu mude minha palavra.
Porque os rumos da felicidades também mudam...
O que hoje é respeito, ontem foi humanidade e amanhã bem que pode ser dignidade...
O que hoje é chegada, amanhã é partida...
Que palavra é a sua?
Tudo depende de sua escolha...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Eu: matéria-prima da felicidade.


"Quando sozinhos, vigiemos nossos pensamentos: em família, nosso gênio; em sociedade, nossa língua..."
Madame de Stael


O primeiro material que tenho à minha disposição para trabalhar meu sucesso sou eu mesma. Eu estou “à mão” para minha manipulação e manuseio, da mesma forma como o barro está para o artesão. Eu não posso mudar o outro. Nem – menos ainda – os outros...
Como posso ter empatia, se não tenho o mínimo de equilíbrio? Primeiro é preciso buscar o equilíbrio. E o verdadeiro fiel do equilíbrio chama-se amor. Permita-se amar-se e ser amado(a). Amor, entretanto, não é permissividade, nem tirania. Preciso aprender a me amar sem concessões irracionais, com desejo deliberado de amadurecimento, evolução e conhecimento.
Para que o eu se alimente de conhecimento, o coração tem de estar aberto aos sentidos: ouvir – mesmo aquilo que nos fere. “Quem não ouve o que o contraria não se liberta da ilusão que o escraviza”, ensina Doutor Inácio Ferreira. Depois de ouvir, escutar... Cumpre analisar cada crítica à luz da razão, com isenção, com vontade de se libertar. Pode ser doloroso constatar que aquele colega de trabalho tinha “razão” em te atazanar, porque você “pedia”... E, compreendendo melhor o processo, passará a não “pedir” mais!
Falar, expressar em palavras a propriedade de seus sentimentos: “sim, sim; não, não”, encorajava o Cristo. Ter coragem de dizer “basta” àquela pessoa que está acostumada a te ridicularizar, a atacar sua auto-estima. Ela terá um susto e tanto! Afinal, as críticas que essa pessoa te impõe foram postas à prova por sua razão e você verificou que são ingenuidades, ataques que não te atingem, rótulos que não te cabem, porque você não os merece, não os aceita.
Chico Xavier compara a ofensa a um presente que é oferecido a você. Se você não o aceita, a quem ele pertence?
A vida nos responde como um eco; se você não gosta do que está escutando, passe a emitir uma frase diferente, uma energia diferente...

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Uma nova corrida do ouro


Cada vez mais me convenço de que o sucesso é algo ao mesmo tempo natural, pessoal e relativo. Seu caráter relativo faz com que sua conquista se desdobre numa imensa gama de possibilidades de interferência. Da conceituação pessoal de sucesso é que vai surgir a estratégia; a definição determina meios e fins para a realização de nosso intento. Eis sua relatividade.
Muitas pessoas procuram ferramentas que possam ajudá-las a melhorar suas condições de vida, seja no aspecto emocional, social ou econômico. Livros de auto-ajuda se multiplicam em grandes proporções, consultórios de profissionais da saúde mental estão sempre cheios, religiões se multiplicam, novas terapias alternativas aparecem, todos prometendo mágica e milagres! È dada a largada para a corrida do novo ouro: a pessoa.
Constatamos cada vez mais essa necessidade expressa de tantos indivíduos em mudar, em melhorar, em evoluir. Somos todos metais preciosos, presos ao entulho, à lama, à pedra sem valor... Precisamos ser lapidados, trabalhados, libertos como a estátua “presa” no bloco de granito. E somente uns poucos conseguem. Esses poucos dominam uma arte que tem mais valor a cada dia: a arte de trabalhar e intervir junto ao que chamo “material disponível”.
Há somente três elementos materiais que uma pessoa pode efetivamente trabalhar em seu próprio favor, ou mesmo em favor de outrem. São eles: eu, aqui e agora. A obra de arte que pretendo fazer de mim mesmo(a) vai depender do tratamento que darei a esse material. E também das ferramentas de que dispuser, bem como do grau de conhecimento em utilizá-las..
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