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sábado, 7 de maio de 2016

SOBRE MÃES E CHOCADEIRAS






Há algum tempo, numa palestra do Murílio Domiciano, ouvi que o tipo de amor mais parecido com o amor de Jesus por nós é o amor de mãe: aquela mãe que ama a seu filho mais que a si mesma! Comecei a comparar e não parei de pensar – e de me cobrar. Afinal, se devo amar meus semelhantes com amor de mãe, é preciso que eu aja como se fosse mãe.
Aprendemos dentro de casa que “passar a mão na cabeça” não é uma boa prática. E quantas vezes deixamos de ser mães em sociedade. Isso parece ter se perdido com o tempo... Quando éramos crianças, nossas mães se preocupavam em educar também nossos amigos, chamavam atenção, corrigiam. As mães de nossos amigos, por sua vez, também zangavam conosco sempre que era preciso. Elas davam conselhos, se preocupavam com a gente. Havia amor nisso tudo. E isso se perdeu. Ficamos menos humanos, menos família, menos... Menos...
Mãe é mãe. Seu amor faz com que ela não se incomode em receber uma resposta inapropriada: ela diz o que pensa ser melhor, ela age da forma que acha melhor. A mãe perdoa, sem traços de mágoa. Acolhe sempre e acredita em dias melhores, em comportamentos melhores, em sermos melhores. Tudo a ver com Jesus!
Preconceito é uma palavra que as mães desconhecem. Apenas sofrem. Nunca um filho deficiente foi menosprezado, nem um homossexual foi rechaçado pelo amor de uma verdadeira mãe.
A voz materna que ensina está carregada de amor, por isso é humilde em sua cobrança, sábia em seu ensinamento, sincera e verdadeira. Por isso, comove. A persistência materna não permite que ela desista, do mesmo jeito que não devemos desistir de nossa sociedade, de nosso próximo difícil, de nosso conhecido rebelde... Por Jesus, somos todos família. Somos filhos, pais, irmãos... A grande família humana.
Ontem, na saída do trabalho, vi uma mocinha jogando um papel de bala no chão, displicente. Não falei nada. Me senti uma chocadeira (para não dizer madrasta, e não ofender as boadrastas)! Se fosse minha filha, aquele papel não ficaria ali no chão! Quando um filho faz alguma coisa errada, alertamos, corrigimos, colocamos de castigo! Não se trata de humilhar a pessoa, chamando a atenção pra aparecer. Não é pra magoar, mas pra educar. Porque o sentimento que move a mãe é a vontade que o filho evolua, cresça, aprenda...
Ao chegar em casa, fiz uma prece por aquela mocinha. Isso é ação de mãe. Pelo menos...



Izaida Stela do Carmo Ornelas


sábado, 20 de fevereiro de 2016

PEDRA - AINDA MAIS - BONITA



Foto: Vereador Humberto.


Fomos assistir à final do Campeonato Regional de Futsal, em Pedra Bonita, dia 5. Nosso time perdeu, mas nós ganhamos! Há quase trinta anos eu não ia a Pedra Bonita. Encontrei a cidade linda, bem cuidada. Revi amigos e fiquei muito emocionada com a acolhida tão carinhosa.

Meu filho Mário ganhou o troféu como segundo goleiro menos vazado. Quem diria! Quem diria que o Miguel fosse ter coragem de fazer um pronunciamento público! Quem diria! Foi mesmo uma noite de surpresas. E de muitas certezas! Muita diferença nas ruas, nas casas, no ambiente. Nenhuma diferença nas pessoas: José Norberto sempre na organização, como no tempo das festas na escola! A Zina de bom humor, com sua cerveja gelada na mão! Não dá pra citar todo mundo, mas todos estão no meu coração, tá? Fiquei devendo muitas visitas e talvez eu fique “aguada” por não ter tomado uma cerveja no bar do Ronaldo!

Tantas pessoas boas! Que ambiente gostoso!

Pena que não pudemos ficar mais tempo. Tempo... Tempo... Quanto tempo mais ainda vai se passar até que eu volte a Pedra Bonita? Não sei. Felizmente trouxe comigo a certeza de que lá as coisas boas vão continuar evoluindo, enquanto as pessoas preservam o que tem de mais precioso em si.


Até breve! 


Izaida Stela do Carmo Ornelas

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Que valores são mesmo de valor? A que valores você dá valor?







Minha geração forneceu os protagonistas de todas estas palhaçadas que vemos nos jornais: lava-jato, mensalão, propinoduto, entre outras menores, corriqueiras, mas não menos criminosas.

É que minha geração teve uma criação muito estranha. A maioria de nós foi criada “pra levar vantagem de tudo”, achando bonito “dar manta” nos outros, aceitando como verdades absolutas tudo o que nos era dito pelos “mais velhos”. Respeito irrestrito, irresponsável e irracional a pais, avós e “similares”.

Aquele parente caloteiro tinha que ser recebido em nossas casas com toda cerimônia, servido com o melhor jantar, etc. Ao mesmo tempo, éramos alimentados com o pior exemplo possível. A autoridade corrupta recebia louros, afilhados, nome de rua e se sentava à cabeceira das mesas das melhores famílias. Sem que houvesse protestos em nenhum jornal. Muitos pedófilos tinham lugares garantidos nas festas de família, enquanto o núcleo abusado não comparecia ao evento, simples e silenciosamente. Dolorosamente. Não nos faltam exemplos. Acho que cada um pode acrescentar um “causo” dessa prática.

Alguns de nós conseguimos quebrar - em parte - esse círculo vicioso, criando nossos filhos à luz da razão, com noções melhoradas de dignidade e ética. Talvez porque sofremos demasiado a dor da vergonha alheia. Também porque fomos criando uma revolta produtiva contra esses disparates que se desenvolviam à nossa volta.

Marcelo Odebrecht, ao discorrer sobre a delação premiada, exemplifica a continuidade dessa criação: “Quando lá em casa minhas meninas brigavam eu perguntava ‘quem fez isso?’ Eu talvez brigasse mais com quem dedurasse”. Ele incorre num juízo esvaziado de valor: não importa o que foi feito, não importa a causa; só as consequências merecem destaque.

Na mesma linha de raciocínio, temos o velho ditado: “Quem fala a verdade não merece castigo.” Tratando a causa: quem fala a verdade, “desde sempre”, não fará nada que possa merecer castigo algum. O problema é saber o que é verdade, no meio de tanta falácia. Tenho dito.


E as perguntas continuam em aberto:

Que valores são mesmo de valor?
A que valores você dá valor?




Izaída Stela do Carmo Ornelas



sexta-feira, 14 de agosto de 2015

NININHA






Minha avó materna, Maria Izaltina, era uma pessoa de muitos nomes. Para os filhos, minha mãe; para aos netos, Dindinha; para mim, Nininha. 
O sobrenome dela varia na certidão dos dez filhos que teve: de Jesus, Gomes e Moreira. Sua personalidade forte fazia com que suas ações fossem diferentes das ações das mulheres de seu tempo. As muitas histórias dela são necessárias. Sim! São necessárias para os dias de hoje!

A primeira
Uma de suas filhas não comia quiabo. Mesa posta, na casa da comadre: uma panela de frango com quiabo... Minha avó desculpou-se com a amiga, avisando que a filha não comia quiabo. “Como, sim!” – corrigiu a menina. Nininha ficou quieta. Quando chegou em casa, mandou buscar quiabo na horta, matou uma galinha e chamou a filha pra jantar. “Não como quiabo, minha mãe. A senhora sabe...” - afirmou a mocinha. “Come, sim! Tá de lamber os beiços!” – falou por entre os dentes, usando um tom de voz quase debochado, que combinava muito bem com o olhar azul educador. Chamou os outros filhos para ver. Não para comer, porque aquele frango era somente para a atrevidinha. Nenhum de seus filhos virou mentiroso ou falsário.

Segunda
Visitando outra comadre, o filho da dona-da-casa era uma verdadeira pestinha. Chutou as canelas de Nininha, bateu num de seus filhos, quebrou seu guarda-sol... Quando a comadre se distraiu, o moleque disparou a fazer caretas, mostrar a língua e toda sorte de disparates. Nininha chamou o menino e deu a ele um “agrado”: dinheiro o suficiente para uma boa quantidade de doces. Esclareceu: “Que lindo! Nunca tinha visto um menino tão engraçado e talentoso assim! Aposto que se você fizer isso sempre, todas as outras visitas vão te dar até mais dinheiro do que eu!”. Quando a comadre veio à casa de Nininha, “pagando” a visita, soube-se que o moleque havia apanhado bastante e estava de castigo, por conta de traquinagens. Sempre soubemos a verdade: por conta de Nininha! Nenhum dos dez filhos se esqueceu de recontar este caso aos netos dela.

Terceira
Retornando do velório de um parente, notou que um dos filhos trazia um brinquedo que não lhe pertencia. “Apertado”, ele disse que havia encontrado o carrinho no terreiro da casa do morto. Mesmo sendo já noite, fez com que o rapazinho levasse de volta o objeto e recolocasse no mesmo lugar onde havia encontrado. Claro que meu avô foi atrás, vigiando sem o filho perceber. Mas nenhum de seus filhos virou ladrão.

Saudades do tempo em que dignidade era a lei.



Izaida Stela do Carmo Ornelas
Na foto acima: Madrinha Iracy, Nininha e minha mãe.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

ENVELHECER





Coisa estranha é essa de se ficar velha...
Algumas cicatrizes somem, como se a gente voltasse à infância, ensinando a esquecer, a apagar. Outras cicatrizes mudam de lugar, como se nos convidassem a pensá-las de forma diferente, sob outro ponto de vista. Novas cicatrizes vem conviver conosco...
As pontas dos dedos ficam enrijecidas como se nos dissessem: “Agarre tudo depressa! Não tenha medo. Deixe de lado a etiqueta e use mais sua ética!”
Os olhos tão velhos de esfinge sabem que os óculos de grau já se tornaram descartáveis... Descontáveis... Porque as lembranças por detrás deles entram em ebulição: quanto mais profundas, mais pululam...
É justamente quando os retratos na parede começam a doer mais forte... Os heróis nos aparecem desmascarados: bandidos, falsários, pedófilos... Quando vemos tudo, entendemos tudo, mas tudo nos é pretenso, dissimulado, escondido pelos outros...
O gosto passado, que não se repetirá, ecoa na língua, feito um agouro. O cheiro de tempo chega a alucinar, querendo que seja novamente sentido. Assim como o tato, estão presos no passado... Torturados por não se fazerem sentidos presentes.
E a vida exterior ainda prossegue, nos ameaçando: Alzheimer, Parkinson e solidão.  
De resto, só a bondade de Deus aliviando o pesadelo. Porque a Verdade não falha, mas tarda...
De resto, a eternidade.

Izaída Stela do Carmo Ornelas





quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

EXPERIÊNCIA DE NATAL





Pedro Nava dizia que a experiência é um farol que ilumina para trás...
Acredito que é somente olhando para trás que conseguimos entender como e por quê estamos aqui hoje. Esse entendimento me parece uma boa base pra nosso amanhã.
Por isso, esta história de Natal. Um natal distante no tempo, mas que se faz personagem, sob a luz do farol da experiência.
Noite de Natal...
Duas crianças pequenas e muitas contas pra pagar... Na quebradeira geral que a região cafeeira enfrentou, no final dos anos 80, estávamos incluídos. O menino maior cutucava o pé da mesa, cabisbaixo, ainda sentindo muito a morte de minha mãe, no final de novembro. O menor, sem compreender seu primeiro aninho, sorria um riso distante.
Então chegou o Papai Noel. Eles souberam disso apenas por um barulhinho  - tec, tec – no telhado. E logo encontraram um saco cheio de presentes: muitos pacotes coloridos!
Que maravilha! Feijão, açúcar, sardinha... Que delícia! Um pião, um carrinho, um pacote de macarrão...
- Faz pra gente, mãe, que é presente do Papai Noel!
E os olhinhos brilhavam, de encontro à fartura de uma compra de mês, misturada a brinquedos simples e a muito amor.
Uma caixinha de giz!
E o menino maior foi até o meio do quintal, escrever no cimento, bem grande:
“PAPAI NOEL OBRIGADO”
Meu presente estava ali.


Izaída Stela do Carmo Ornelas

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A "MALDADE" QUE EDUCA



Este texto é do site Momento Espírita. Não é de minha autoria, mas me expressa fielmente:

EU OS AMEI O SUFICIENTE

Meus filhos, um dia, quando vocês forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de lhes dizer: 
Eu os amei o suficiente para ter perguntado: aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão? 
Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram da mercearia e os fazer dizer ao dono: "nós roubamos isto ontem e queríamos pagar".

Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês por uma hora, enquanto limpavam o seu quarto; tarefa que eu teria realizado em quinze minutos.

Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as conseqüências eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso.

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente..., venci... porque no final vocês venceram também! E, qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, meus filhos vão lhes dizer quando eles lhes perguntarem se a sua mãe era má:

- Sim... nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo.

- As outras crianças comiam doces no café da manhã e nós tínhamos de comer pão, queijo, leite. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos de comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. Ela nos obrigava a jantar à mesa, bem diferente das outras mães, que deixavam os filhos comer vendo televisão.

- Ela insistia em saber onde nós estávamos a toda hora. Era quase uma prisão. Mamãe tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos quando íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.

- Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violou as leis de trabalho infantil. Nós tínhamos de lavar a louça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o pó do chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis.

- Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.

- Ela insistia sempre conosco para lhe dizer a verdade, e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, ela até conseguia ler os nossos pensamentos.

- A nossa vida era mesmo chata. Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que nós saíssemos. Tinham de subir, bater na porta para ela os conhecer. Enquanto todos podiam sair à noite com doze, treze anos, nós tivemos de esperar pelos dezesseis.

- Nossos amigos dirigiam o carro dos pais mesmo sem ter habilitação, mas nós tivemos que esperar os dezoito anos para aprender, como pede a lei. Por causa da nossa mãe, nós perdemos muitas experiências da adolescência. Nenhum de nós esteve envolvido em roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.
Foi tudo por causa dela.

- Agora já saímos de casa. Somos adultos, honestos e educados, e estamos fazendo o possível para ser, também, "pais maus", tal como a nossa mãe.

- Eu acho que este é um dos males do mundo de hoje: não há suficientes mães más como a nossa mãe o foi...



segunda-feira, 11 de abril de 2011

ORAÇÃO FRENTE À PERDA



Com tantas tragédias acontecendo no mundo...
Com tantas tristezas espalhadas...
Na tarde que sucedeu ao Massacre de Realengo, um acidente de trânsito colheu Danilo, 21 anos, filho de minha amiga de infância. Recolhi-me em prece e escrevi uma oração, único consolo possível nestas despedidas.
Dedicada a Silvana Alves Frossard.

Senhor
Diante de Ti me encontro, como em todos os dias de minhas vidas. Foram dias por Ti contados. Marcados pelo Teu desejo de que eu melhore e evolua sempre.
Em muitos desses dias recebi alegrias, muitas delas proporcionadas pela pessoa que se foi, conforme a Tua permissão. Agradeço cada sorriso, cada bom momento, cada pedacinho de felicidade que o Senhor colocou em minha vida. Obrigada, Mestre.
Em outros dias, vivenciei tristezas. Por elas também Te agradeço, Mestre. Porque eu não seria capaz de reconhecer a tristeza, se não tivesse antes conhecido a felicidade.
Percebi mudanças no mundo e em mim, ao longo desses tempos. O que não mudou nunca foi Teu cuidado por mim. Novamente, obrigada.
Neste momento de profundo pesar e de insistentes lágrimas, meu coração recorre ao Teu amor.
Pai amigo, eu lhe suplico...
Me dê forças para enfrentar a dor, a ausência, a saudade, vencendo-as uma após outra, para a glória do Teu nome.
Me ensina a conviver com esses sentimentos tão contraditórios. Porque a perda é uma ilusão. O aprendizado virá e a Tua Verdade me libertará da revolta, da angústia, do desespero.
Afasta de mim o cálice da incredulidade, do desamor, da depressão, da inércia. E me dá de beber a ação, o amor, o trabalho. Que não me faltem a solidariedade, a compaixão e a caridade, que doravante serão meus companheiros.
Também permita que eu aprenda a me bastar, para não contagiar ninguém com minhas fraquezas, como Jesus crucificado se resignou em suficiente fé e paz.
Me ilumina para que eu possa reverter todo o meu sofrimento em exemplos, que vão fertilizar almas. Converta em lições  minhas feridas, minhas tragédias, minhas lembranças. E alcance os corações de todos através de minha triste história: fortalecendo os que se encontram feridos como eu e encorajando aqueles que possam impedir que outros sejam feridos da mesma forma que eu.
Me aqueça com a humildade, que me mostra o quanto sou pequena, frágil e dependente dos outros. E me vista de coragem, porque preciso estar junto aos irmãos que são pequenos, frágeis e dependentes de mim. Em Ti me fortaleço, porque só junto a Ti está o conhecer, o sentido, a Vida.
Põe em mim Tua mão e cura meus medos, minha falta de fé, minhas dúvidas. Cuida, quando eu tropeçar. Suporta minha lamúria. Acalenta minha vida.
Faz com que a força do Cristo me ampare e a duçura de Maria me conforte.
Por fim, me ensina a amar mais. Porque minha perda não significa um amor que se foi, mas um amor que ficou. Um amor presente, cuja beleza não pode ficar escondida. Que meu amor transborde e acolha, multiplique e floreça. Conforme a Tua Vontade.
Abençoa minha família, minha comunidade, meu país e nossa humanidade.
Para meus queridos que se encontram junto a Ti, beije-os por mim, Senhor.
Que sejamos todos sustentados na luz que de Ti emana.

Assim seja.

                                   Izaída Stela do Carmo Ornelas




domingo, 13 de fevereiro de 2011

CONVERSA



Quando eu te falar em encontro, na sua mente, com certeza, algo muito vago aparecerá... E estará longe nosso alcance, enquanto diferenças saltam aos olhos.
Afinal, quando eu não sei o nome do personagem principal da novela das oito, te decepciono. Se você não sabe o preço do dólar, me assombro.
Nossa conversa não continua. Nos separamos sob aparente cordialidade. Nossos pseudocompromissos urgem.
E sentimos saudade do tempo e saudade de ter tempo.
Longe no tempo, neste mesmo espaço, nossas mães e pais conversavam animadamente e combinavam um grande almoço de domingo! As alegrias entre as crianças que éramos não nos servem mais: crescemos e somos egoístas a ponto de não proporcionar a nossos filhos a união.
Enterramos os hábitos de visitar e receber, sob o cansaço, a tv e a preguiça.
Se eu te perguntar qual foi a última visita que nossas casas receberam – caso a gente ainda se lembre – é provável que tenha sido um vendedor ou coisa parecida.
Também, tanto você quanto eu, não visitamos ninguém.
Se você me convida, não vou. Comodista e auto-suficiente, sento-me frente a esse computador idiota. Recolho-me à insignificância de meus trabalhos, enquanto as crianças assistem àquele novo desenho... Afinal, tenho de trabalhar para comprar novos DVDs, mais CDs.
Em sua casa a coisa apenas aparenta ser diferente: uma cerveja e um jornal te acompanham. Você se lembra de mim quando alguma notícia pode servir para encompridar nossa ‘conversa’. E os dias passam junto aos capítulos da novela.
Lembro-me de você quando vejo aquelas propagandas de solidariedade. Poderíamos ajudar muito. Sozinha, desanimo. Se te encontro, esqueço de falar... Esquecimento fútil, banal sintoma do estresse...
Na hora de dormir, minha prece te inclui porque você é divinense – e peço por todos meus irmãos de terra. Só aqui minha comunicação é eficiente! Mas a união fica restrita a um Deus, como se Ele não tivesse filhos...
Um dia vou te perguntar como é sua oração. Não. Afasto a idéia. Você vai tomar por invasão de privacidade.
Se você lesse essa crônica, faríamos tudo diferente?
Amanhã é domingo...




domingo, 9 de janeiro de 2011

Atire o primeiro DVD...




Quanto tempo se passou, desde que o mundo é mundo!
Mas, fora a tecnologia, continuamos os mesmos.
Temos computadores, celulares, satélites. E os mesmos dilemas!
Problemas de viver - homens e mulheres - consigo mesmos. Problemas de viver em família e em comunidade.
Mais fácil nos declararmos perfeitos e colecionarmos pedras em defesa própria!
Assim era desde sempre.
Só uma coisa mudou: desde que o Cristo desafiou “atire a primeira pedra”, muitos outros objetos se prestaram, ao longo do tempo, ao papel de pedra.
Hoje, em Divino, desafio: “atire o primeiro DVD”!
Aquele que não tem culpa por debaixo do “rabo”...
Aquele que agradece a Deus porque pensamentos não têm som...
Aquele que ainda não varreu nenhuma sujeira de família para debaixo do tapete...
Aquele que é virtualmente perfeito...
Ou aquelas, também...
É humano o brincar, mas não o humilhar.
É humano comentar, mas não se aproveitar.
Existem ações e situações diabólicas.
Meu Deus!
Como quem guarda um retrato, um casal resolveu guardar uma imagem do quanto se amaram.
Talvez ainda se amassem, não fosse a invasão e difusão de sua intimidade!
A tecnologia – a serviço de pessoas vazias - está influenciando a moral, o comportamento, a arte e a vida!
Se Romeu e Julieta tivessem uma câmera a sua disposição, o que seria de Shakespeare, afinal?
Os suspiros românticos terão que sentido, no século futuro?
Quanto vale o show? Quanto custa o DVD?
Ainda bem que o tempo vai passar...
Os homens, entretanto, não serão muito diferentes.
Apesar de todos os esforços de religiões e de filosofias.
Se quiser mesmo ferir, não atire pedras, mas homens!


sábado, 24 de julho de 2010

Vitórias, lições, etc.



Ontem foi uma noite atípica:
Formatura e jogo do campeonato! Mesmo horário!
Como não podiam estar nos dois lugares ao mesmo tempo, Murilo e Mário tiveram de escolher.
E de correr riscos.
Muito aprendi com eles.
Primeiro foram ao jogo. Futebol de salão, sete da noite. O time da Academia Oxigênio não poderia perder dois de seus atletas! Como ficariam Jefferson, Luan, André, Luiz e todo o resto da turma?
Atraso na partida, estresse, adversário competente, batalha árdua.
Na colação de grau o estresse era o mesmo. Onde estavam? Por quê não chegavam... Érika, Letícia, Perlinha... Cadê a dupla? Do Júnior, lá atrás, eu ouvia o pensamento! 
Miranda e Edson Wander não contiveram sua expressão intrigada.
Tio Joaquim quase desistiu da espera.
Lá quase pelas dez, chegaram ao clube: de tênis e meião, sem banho... Puseram a beca!
Como todos já haviam sido chamados, procedeu-se a nova chamada para os meninos.
Nesse gesto, muitas lições.
Amigos não se abandona...
Equipes são coesas porque são comprometidas...
O sucesso só tem sabor quando se compartilha...

Vencida a faculdade. Vencido o Nacional.

Eles escolheram tudo. Porque viver é tudo!
O risco de perder, que fique para amanhã...

Agradeço o aprendizado.

domingo, 4 de julho de 2010

SE ESSA RUA FOSSE MINHA...




Quantas vezes cantei “se essa rua fosse minha”, brincando de roda, não sei.

A criançada, trinta anos atrás, se divertia assim: no meio da rua, longe das tvs. Tvs, aliás, eram aparelhos que ralamente existiam e raramente “pegavam”. Se essa rua fosse minha, eu mandava emoldurar: um tempo em que só alegrias se estampavam.

A nostalgia se alimenta, ainda mais, de saudades, hoje: me dei conta da ausência de tantas pessoas que observavam nossa ciranda. Dia 24, completam-se 30 anos da morte de meu pai. E 2010 vai levando: “adeus cidade, adeus Maranhão”, adeus tanta gente do meu coração...

Primeiro foi Dona Lourdes, a incansável mãe, esposa, avó, professora, artesã, de quem eu acredito a melhor personificação da palavra DIGNIDADE!

Depois Tereza Belan, minha amiga“Terezinha de Jesus”. Esta, de uma queda não foi ao chão, mas acudida pelos cavaleiros do céu, foi costurar lindos mantos para Maria...

O Aminthas eu sabia tratar-se secretamente de super-herói - “Homem-martelo” - que defendeu a rua no episódio do assalto ao vizinho Vanelson. Quando eu o chamava assim, o riso dele vinha fácil, pois a amizade dele era assim: coisa descomplicada!

Agora Sr. Antônio Viana nos deixa. E mais um exemplo positivo me chega, na convivência de longa data. Quando eu passava pela casa dele, indo pro trabalho, ele dizia:

- Já vai pra prisão!!!

E na volta, cumprimentava:

- Já saiu da prisão, né?

Em minhas preces, tenho a certeza de que agora foi ele quem saiu da prisão. E está livre como são a verdade e a vontade do Senhor.

Nos versos livres de “Se essa rua fosse minha”, a certeza de que cada um deles é uma “pedrinha de brilhante” que ladrilha minha história.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

EPITÁFIO



O dia termina com o pôr-do-sol e a morte põe fim aos meus dias com meu pôr-dos-olhos. Devo ter a sensação de que fiz o que pude! Busquei minha evolução incansavelmente. Lutei pelo sucesso de todos os que me rodeiam. Passo ao entendimento de tudo.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

ÉRAMOS SEIS: teoria da matemática

Éramos seis as netas de Raimundo e Ana. E nunca havíamos contado...
Dias atrás, quando perdemos Patrícia de forma tão trágica, é que fizemos a conta.
Sobramos Maria Angélica, Flávia, Érika, Mariana e eu.
Deve ser por isso que tanta gente não gosta de matemática: as contas...

CONTAS


Contas. Coisas a pagar, coisas que devo ao mundo e a muitos que já não são deste mundo.
Contos que eu conto, tu contas, ele canta... E a vida se colore, a distância se encolhe, o corpo amolece enquanto a alma escuta.
Pessoas que contam, afinal de contas. Momentos que contam e que emolduram nossa existência como se fossem contas.
Verdes, azuis, cristalinas. São as contas do colar de toda uma vida.
Coisas que conto.
Contas que contam.


NOVAS CONTAS


Eu conto...
Tu contas...
E com as contas feitas das palavras que escolhemos, teço meu colar.

Palavras contam...
Sorrisos contam...
O que conta para mim?
O que conta para você?

E as pequeninas contas do colar passam a fazer sentido
A fazer-se sentir
Tornam-se grandes

E as contas que tecemos rotineiramente
Matematicamente
Logicamente
Nos expõem ao ridículo
Libertador.

O que conta?
Quem conta?
Onde conta?
E o colar se parte, fragmentado em mil brilhantes contas...

O que importa contar
É a conta (do) que se faz enquanto o dia é contado.
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