segunda-feira, 31 de março de 2014

UM CACHORRO NUM MONTE DE PALHA...






Com esta expressão, minha avó costumava apelidar a pessoa que não faz nada e nem deixa que os outros façam. Afinal, o cachorro deitado no monte de palha faz um barulho danado, não dorme e nem deixa ninguém dormir!
Assim acontece com o (des)governo e seu aparato legal. A personificação de um cachorro, deitado num monte de palha, noite adentro, é perfeita! Ele não fornece ocupação decente pra crianças e adolescentes, e ainda impede que a sociedade preencha essa lacuna. É o que está acontecendo na questão da Guarda Mirim! 
Andei pensando até que são os traficantes que denunciam e tentam atrapalhar a coisa, visto que seus lucros ficam prejudicados. Se fosse pra implantar uma fábrica de cigarros ou mesmo um alambique de cachaça seria mais fácil! Triste constatação. Foi-se a Guarda Mirim de Carangola e o que o governo vai fazer em contrapartida? Ficou uma espécie de "buraco", que a sociedade não pode tapar porque a Lei não permite. O que é politicamente correto é moralmente correto? Precisamos nos mobilizar, a começar por pensar, por analisar os fatos de forma coerente. Ninguém é a favor de que se abuse do trabalho infantil, mas que se cerque de tanta exigência burocrática é, no mínimo, excesso de zêlo...
Infelizmente isso acontece não só no caso da Guarda Mirim, mas na maioria das ações que a sociedade se propõe a resolver por si. Quanta burocracia, quantos obstáculos, quanta dificuldade! Tem sempre alguém pra entravar, tem sempre uma lei de mil novecentos e antigamente... Como a lei que impede os presos de cumprirem trabalhos forçados, por exemplo. Ela foi criada para que se impedisse que os presos políticos virassem força de trabalho e agora não se pode obrigar o preso a ganhar e prover seu próprio sustento! Enquanto o Legislativo se exime, os funcionários do executivo e judiciário têm que cumprir essas linhas estapafúrdias! Sobram a culpa e a má fama para os juízes e promotores!
Nossos legisladores abrem precedentes sem qualquer preocupação com as consequências... Tudo tem que ter aparência politicamente correta, nos mínimos detalhes. Quando a “patrulha do politicamente correto” sai por aí procurando picuinhas, coitado do povo! Tem sempre um documento que falta, um deslize, uma imperfeição. Quem é perfeito? Quem não tem lá o seu rabinho preso com alguma coisa? Exceto Jesus, eu duvido que haja! E assim nossa hipocrisia toma forma de “proteção”. Deus me livre! Deus nos ajude! Desta maneira somos multados, perseguidos, maltratados, sem que nossas reais intenções sejam levadas em conta! 
Aos que ficam pregando obediência cega, aos que ditam regras estapafúrdias, gosto sempre de lembrar: ESCRAVIDÃO TAMBÉM ERA UMA LEI!!! E amparo MORAL à criança é OBRIGAÇÃO do Estado. Mas a sociedade e o Estado entendem amparo de forma totalmente diferente. Acredito que o Estado impede que a sociedade sequer sonhe com dias melhores.
Resta o pesadelo!


Izaida Stela do Carmo Ornelas

quarta-feira, 5 de março de 2014

DO POVO? PELO POVO?






Realmente confesso que não entendo essa tal “democracia”!
Por maioria, os vereadores de Divino – exceto Elias, Euzilene e Ronaldo - aprovaram o orçamento de R$146.000,00 (CENTO E QUARENTA E SEIS MIL REAIS) para uma AMPLIAÇÃO do imóvel onde funciona a Câmara, na reunião de 18/02.
Como nossa cidade precisa com urgência de outros projetos de maior relevância, muita gente se indignou nas redes sociais, inclusive eu. Durante as conversas no Facebook, meu filho Mário Ornelas foi convidado a assistir a próxima reunião legislativa, convite prontamente aceito com o objetivo de pedir que os vereadores reconsiderassem. Em suma, nesta quinta, 20/02, fomos à reunião extraordinária da Câmara Municipal de Divino. Tristemente soubemos na ocasião que a questão era irrevogável... Será esta mais uma falácia divinense (porque muitas conhecemos)? Cabe aos curadores do Ministério Público o esclarecimento.
Mário, inclusive, escreveu um texto para ser lido em plenário, mas não pôde se manifestar, porque o regimento da casa exige que as pessoas se inscrevam com três dias de antecedência para ter direito à palavra... Uma coisa que – a meu ver - não é muito democrática! Quem pode prever o futuro? Mas Divino tem sido assim mesmo... O que não quer dizer que a gente tenha de se conformar com essas convenções antiquadas! Será que algum vereador será capaz de mudar esse regimento retrógrado???
Fomos lá em pequeno grupo, sem máscaras, sem faixas ou bandeiras, em clima de família (em companhia do primo Rafael e da tia Genilda), com a postura amiga, com o ideal de paz, de esclarecer. Tendo a pretensão de cobrar, mas também de ouvir. Acredito mesmo que a contenção do muro e a adequação do local ao laudo do Corpo de Bombeiros (ao qual não tivemos acesso) são pertinentes, mas continuo achando que ir além disso é uma afronta, um verdadeiro TAPA NA CARA do contribuinte que muitas vezes deixa de pintar sua própria casa para manter seus impostos em dia!!!
Como já elogiei a postura da Câmara em meu blog, quando os dois grupos políticos se uniram para pedir melhorias na segurança do município, me senti na OBRIGAÇÃO de participar. Ainda mais porque, quando as tentativas de incrementar a segurança mostraram-se infrutíferas, meu elogio foi motivo de chacota, num episódio desprezível! Afinal, quem me conhece sabe que minha história é diferente... Prefiro acreditar no bem. E meu elogio é sinônimo de RESPONSABILIDADE!
Fiquei muito feliz quando percebi que alguns deles se mostraram reticentes, mesmo arrependidos pelo apoio dado ao projeto. A cobrança dos eleitores foi – e continua sendo – o motivo dessa pontinha de remorso. As diversas pessoas que pararam seus vereadores e disseram o quanto ficaram indignadas têm todo o meu respeito! Fizeram a DIFERENÇA.  Se a votação fosse hoje, acredito que teria outro resultado! Percebi que existe ESPERANÇA, graças!
Gostaria MUITO de continuar elogiando a Câmara... Mas, para que eu elogie, existe a prerrogativa do merecimento! Quando merecerem, o terão. Elogio é mérito, o que agora não é cabível!
O povo está magoado. Pessoas de bem estão se sentindo lesadas!
Que haja necessidade de reforma, de cumprimento de regras de segurança, tudo bem... Mas necessidade é bem diferente de VAIDADE!
Ao início da sessão, uma oração cristã muito me intrigou. Foi proferida a oração da sabedoria, linda mensagem que é atribuída aos amigos Alcoólicos Anônimos. O texto fala sobre coisas que podemos e que não podemos mudar... Enquanto o eleitor fica ali, meio abobado, pensando em seu título eleitoral guardado na carteira, fiquei curiosa: o que será que JESUS faria, se estivesse hoje, em Divino, com R$146 MIL em suas mãos?
Espero resposta para minhas orações!

Izaida Stela do Carmo Ornelas





quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

TÁ PICHADO NA MEMÓRIA




Foto: Jornal O Impacto


As recentes pichações em Divino me deixaram cheia de saudades. De novo. Saudades de quando o Sr. Valdir tomava conta do jardim. Foi bem lembrado pela minha amiga Ana Cristina o quanto ele cuidava das coisas e da gente!
Se a gente sentasse com os pés em cima do banco, lá vinha ele... Quando andávamos de bicicleta de maneira perigosa, éramos convidadas a parar. Algumas vezes ele nos dava um baita “galope”, sem perder o chapéu. Se algum de nós aprontasse, ele fazia questão de nos acompanhar até em casa e nos “entregar” pessoalmente. Nessas ocasiões, era sempre muito bem recebido em nossas casas, relatava nossas peripécias e nossos pais ficavam lhe devendo obrigação! Se fosse hoje... Alguns pais... deixa pra lá...
Quanto devemos a ele! Quanto reconhecimento pelo cuidado que ele tinha! Ele cuidava tanto dos bancos e das plantas, quanto das crianças e jovens! Quanta diferença das pessoas de hoje em dia! As pessoas de hoje se importam mais com o material: o salário, o prejuízo, a pintura estragada... Na verdade, funcionava mais quando se preocupavam com o trabalho bem desempenhado, com o lucro moral e com a consciência tranqüila...
A pichação reflete nossa falta de cuidado com os jovens e com as coisas. Estamos sendo muito omissos. Nada é da nossa conta... E vivemos de braços cruzados! Na frase em inglês, estampada no chafariz, pode-se ler: “Plant more green”. Traduzimos como sendo “plante mais verde”. Sr. Valdir não faria essa tradução. Ele ia ler: “Eduquem melhor as crianças”!!!
Nossos pais confiavam nele e quase nunca relutavam em nos deixar brincar na praça, pois sempre tinha a pessoa zelosa do Sr. Valdir de olho na gente. Muitas vezes tentamos esconder seu guarda-chuva, quando ele o deixava pendurado em algum galho. Sem chance. O velho era mesmo esperto!
O cuidado dele está gravado, ou melhor, está pichado em minha memória. O chapéu e o guarda-chuva. Quase Carlitos.


Izaída Stela do Carmo Ornelas



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

HÁ TRÊS ANOS, NO JORNAL O IMPACTO...




DESCASO GERAL. ATÉ QUANDO?


Virou banal, entrou na rotina...
Impostos altíssimos são pagos em dia e pouco se reverte em benefício real do contribuinte. Pouca coisa funciona.
É humilhante a posição de um cidadão! Pois os governantes nos dão a impressão de estarem debochando da gente!
Janeiro está chegando. Com ele vem o IPVA, o DPVAT. Imagino o estado eufórico pra ver seu cofrinho enchendo... Coisa de desenho animado, quando os olhos do personagem viram cifrões $ $ !
Enquanto isso, muitos olhos de cidadãos de bem se enchem de lágrimas. Acidentes, mortos e feridos nas estradas - cheias de buracos - nos afligem.
Cuidado!!! De tão banalizada, esta situação está cumprindo um papel subliminar perigoso: as pessoas estão se acostumando com o problema, ao invés de buscar soluções e promover cobranças junto aos responsáveis.
Vide a já tradicional cratera na chegada em Carangola. Alguém pode me dizer quantos anos ela tem??? Já está incorporada ao cotidiano, Não é notícia, mas puro esquecimento.
Por isso quase não escrevi esta crônica-denúncia.
Porque tantos já reclamaram, sem conseguir o respeito mínimo da atenção por parte dos governantes, sem que a boa vontade dos mesmos fosse encontrada, afinal.
Mas aqui estou, registrando meu alerta. Convidando as pessoas de bem a não pecarem por omissão. Não se pode render à mediocridade. Seria negar a máxima de Jesus: “ao próximo como a ti mesmo”. Coragem é sinônimo de cristandade!
Como no seriado de tv, quem irá nos salvar? Quem irá nos defender?
Enquanto isso, vamos colecionando um monte de desculpas esfarrapadas: não me cabe, não fui eu, não sou o responsável... Vão acabar colocando a culpa em Deus, se tiverem oportunidade!
É o federal? É o estadual? Não sei. Vista a carapuça quem couber! E em alguém cabe!
No sábado (11/12/10) dois jovens poderiam ter perdido a vida num acidente! Porque alguém que deveria manter uma estrada em ordem não faz o que é sua OBRIGAÇÃO. E coube – mais uma vez – a Deus o cuidado e a conta.
Aconteceu na Rodovia Walter Luiz da Silva, próximo à residência do Sr. Mauri Ventura, em Divino. Mas acontece também Brasil afora.
Indignada como muitos... Amedrontada como tantos...
Mães e pais, filhos, esposas, maridos em prece pela segurança de seus queridos. Os professores que passam por ali todos os dias conhecem o problema. Expostos a perigos desnecessários como buracos na pista, má conservação, má sinalização...
A quem recorrer? A quem sente na pele o problema: primeiro ao povo, à opinião pública dos eleitores.
Na esfera legislativa, os três deputados mais votados em Divino utilizam a MG 265 e, portanto, quando visitam suas bases, também estão expostos aos mesmos riscos que seus eleitores! Sabem que não estou mentindo. E deles se espera muito...
O que não pode acontecer é esse silêncio...
O que não pode acontecer é o cidadão achar natural o que não é.
E achar corriqueiro o que é, na verdade. uma chocante violação do NOSSO DIREITO!


MUITO TRISTE PELA FAMÍLIA DO SERGINHO!



                 Izaida Stela do Carmo Ornelas

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

MUITAS PELES





Há alguns dias, uma amiga revoltou-se com o comportamento de uma pessoa e foi logo enquadrando: “Lobo em pele de cordeiro.”
Fiquei pensando o quanto somos todos lobos... E como a verdade é passível de reversão! Se o cordeiro existe, ele está bem escondido. Assim, a parte de nós que mais aparece é a face do lobo! Basta que achem o fecho de nossa fantasia – o calcanhar de Aquiles – e lá se vai a fera solta, o lobo feroz se lançar contra o outro!
Aparece, porque o lobo também é necessário para nossa evolução.
Quem nunca perdeu a paciência, o equilíbrio, a sensatez??? Até o Mestre se investiu de indignação para expulsar os mercadores, vendilhões do templo! Dois mil anos depois, comprovamos e ainda não aprendemos que esse tipo de reação não funciona, visto o modo como os vendilhões se multiplicam, incessantemente, desde então.
Aliás, a religião por si não pode garantir qualidade e nem perfeição. Mas podemos perceber que existe dentro da religião uma pessoa tentando se melhorar: uma pessoa que erra, mais do que acerta, ainda muito longe da perfeição que sonhamos nela.
Quando Jesus nos convidou à perfeição, o disse: “Sede perfeitos como nosso Pai o é.” Comecei a aprender que a humildade é a porteira da estrada da perfeição. Porque Ele poderia ter dito: “Sede perfeitos como Eu o sou”, mas não o disse. Esta foi mais uma das lições do Mestre.
Eu erro, tu erras... Mas o verbo errar tem que ser, aos poucos, substituído. Meu verbo preferido é: Eu aprendo, tu aprendes...
Com um longo caminho a percorrer.



Izaída Stela do Carmo Ornelas



terça-feira, 12 de novembro de 2013

O PIOR ESTRANHO






Desconheço o autor, mas esta foi a frase mais tocante que li, na internet, nos últimos tempos.
Tem gente que eu olho e tenho vontade de dar aquele toc, toc, toc na testa e pedir pra falar com quem está lá dentro... Ou melhor, com quem eu suponho que deveria estar lá...
Tenho a nítida impressão de que aquele conhecido ainda está ali, perdido em algum lugar... Talvez esperando por mim.
Alguns, a gente nem reconhece mais.
São os que deixaram que nós os conhecêssemos através de seus sonhos e quando esses sonhos deixaram de existir, não os reconhecemos mais.
Se os outros são nossos estranhos, somos – por nossa vez – os estranhos dos outros.
Por fim, terminamos por ser os estranhos de nós mesmos.
Quantas vezes nos contam coisas sobre nós que desconhecemos, fatos dos quais não nos lembramos e que parecem fazer parte da vida de outra pessoa, do nosso estranho particular.
Toc, toc, toc...
Cadê você?


RE-DES-ENCONTRO
Chega um dia em que suspendemos o tempo
... e tudo foi ontem...
o encontro, o sorriso, o suspiro
o suspiro, a lágrima, o adeus

Vinte anos e mais
são vinte anos demais
E no tempo de ontem estão condensados

No trejeito rebuscado não reconheço
o coração que conheci

Nas palavras reticentes percebo
o quanto ontem foi um longo dia!
E a distância – que nunca antes existiu –
Nasce entre nós.

O problema maior é que o estranho esteve ali o tempo todo. Sempre. Só a gente não via... Ou não queria ver. Porque a gente só vê o que quer ver...
Portanto:
- Conheça-se estranho, antes que seja tarde! Tarde de novo!



Izaída Stela do Carmo Ornelas


sábado, 26 de outubro de 2013

SOCORRO ECOLÓGICO




Antes que nascesse grande parte dos ecologistas de hoje, meu pai foi chamado de louco por defender suas idéias.

Quando comprou uma propriedade de dez alqueires, preservou a metade em mata nativa. Na época, isso era considerado um absurdo! As pessoas comentavam o quanto ele estava sendo incoerente, deixando de cultivar um grande espaço e privando pessoas de trabalho com isso! Que malvado!

Hoje , vendo o espaço preservado no Google Earth, entendo...

E quem nem estava nascido nessa época vem – ainda hoje - prejulgar, com colocações equivocadas... Eu, que já vivi isso tudo: pessoas chamando meu pai de burro... O passar do tempo, os vizinhos ficando sem água... Fornecendo água para que os vizinhos tivessem o que beber... E há pouco tempo ter algum babaca denunciando a gente na polícia florestal, por fazer uma pequena terraplenagem em local próximo a um córrego, mas separado dele por uma estrada! Será que estou condenada a vivenciar injustiças???

Ei, ambientalistas, socorro! Mas saibam: mesmo que não me acudam, continuarei apoiando as idéias de preservação. Estou sendo tentada e testada!!!


Cada vez mais me convenço da necessidade de preservação, de conservação, de promoção da sustentabilidade. Costumo dizer que respiro a loucura do meu pai. Em muitos sentidos, porque a maior reserva nativa no entorno da cidade de Divino é a que ele preservou!


Izaída Stela do Carmo Ornelas


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...