terça-feira, 14 de maio de 2013

RESPONSABILIDADE DE TODOS





Nunca vi uma frase tão canalha...
O que é responsabilidade de todos acaba sendo responsabilidade de ninguém! E nossa preguiça acha muito bom não ter responsabilidade nenhuma, nenhuma cobrança. Nossa omissão se deita ao sol, enquanto nosso juízo tira férias!
Cuidar da pracinha: responsabilidade de todos. Cuidar dos jovens: responsabilidade de todos. Educação: responsabilidade de todos. Responsabilidade de quem? De quem? Todo mundo corre da responsabilidade: não é dos pais (que não têm tempo), não é da escola (que só precisa instruir), não é do Estado (que não pode intervir), não é das religiões (que só se reportam à divindade)... E enquanto ninguém assume a educação, ficamos assombrados com vandalismos, com a corrupção, com toda a sorte de malefícios sociais que advém da falta de serviço físico e mental para nossos jovens.
Assumir a responsabilidade já está na Lei. Quando um menor rouba, depreda patrimônio, ou mesmo quando lesa moralmente a alguém, o código brasileiro prevê a responsabilidade de seus pais, no sentido de ressarcir os prejuízos causados. Está no Título IX Da Responsabilidade Civil, Título II, Capítulo I, Da Obrigação de Indenizar. O artigo 932, em seu inciso I, atribui aos pais a responsabilidade pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia.
Da mesma forma, quando uma criança foge da escola e pratica algum delito, a escola tem também sua responsabilidade. Houve descuido ou negligência? O que aconteceu? É preciso apurar as coisas com isenção, com lisura, acima de preferências pessoais, políticas e ideológicas. Saudade do tempo em que Educação Moral e Cívica era uma disciplina com aulas semanais! E sei que vou sentir saudades do tempo em que Educação Física era ensinada já nos primeiros anos da escola! Tudo nos vem sendo tirado há tempos... Estamos passivos, por isso condenados a sofrer atrocidades cada vez piores.
Mas será que somos assim tão vítimas? Ou estamos apenas sendo perigosamente complacentes, coniventes? Se “quem cala, consente”...
Se não assumirmos nossas pequenas responsabilidades com relação à educação de nossos jovens, estaremos condenados a enfrentar grandes dificuldades. Vamos começar agora a mudar nossas ações, a construir efetivamente nosso futuro, conscientes de que não nos cabe mais a desculpa esfarrapada de que “não é nossa obrigação”. Cuidar de todos e de cada um é dever moral, cujo descuido gera uma perturbação que se prolonga ao futuro, feito uma onda. A maior parte das igrejas chama isso de pecado. O pecado da omissão, que rouba o futuro da gente.
Ficamos estarrecidos quando vemos no jornal casos de assaltos, roubos e vandalismo, como ocorreram em Divino, no início deste ano. Mas o que fizemos para evitar? O que faremos agora que o cerco está se fechando? Continuamos omissos ou cobraremos de nossas autoridades ações de verdade? Faremos cada um a nossa parte, assumindo que “todos” é o coletivo de “cada um de nós”?
Aqui a contribuição de minha profunda indignação.

Izaída Stela do Carmo Ornelas






domingo, 7 de abril de 2013

INCÊNDIO NO HOSPITAL





Imagino as dificuldades financeiras do Hospital Divinense como um incêndio.
De imediato, é preciso apagar as chamas. Chamas apagadas, perigo real afastado, cumpre refletir. Não foi a primeira vez que “pegou fogo”. Aconteceu antes. Aconteceu de novo. Como fazer para que não aconteça novamente? Afinal, trata-se de uma instituição muito importante para as pessoas da cidade!
Apesar de alguns prefiram buscar cidades vizinhas para atendimento, quando “o bicho pega”, quem vai te socorrer mais rapidamente vai ser quem mais está próximo a você.
Muito perto, muito longe...
Ainda me lembro de quando o hospital foi construído. Lembro do tapume que encobria a obra de fundação. Eu era uma adolescente de treze anos. Nessa época, meu pai sofreu um acidente e veio a falecer do outro lado da rua, no posto de saúde que funcionava onde hoje é a Delegacia. Se tivesse o hospital, talvez um pouco de alívio à dor dos ferimentos pudesse ser oferecido...
Só sabe quem já viveu. E quem sentiu na carne a falta...
Naquele tempo, a união das pessoas foi impressionante! Paredes simples, grande propósito, muita boa vontade dos divinenses, sob a inspiração do Sr. Adriano Campos Pereira. Lembro que minha mãe, por exemplo, costurou – de graça – uniformes, lençóis e máscaras cirúrgicas. Cada um contribuiu com o que pôde. Não me lembro da inauguração, curiosamente.
O esforço daquelas pessoas não pode ter sido em vão. Não pode ser consumido pelo incêndio da incompetência ou da corrupção. Entretanto, tem gente que prefere ver o circo pegar fogo. Triste. É o caso de pessoas que estão sempre tentando se esconder por trás do umbigo do outro! Elas dizem coisas do tipo “sua coluna no jornal não vai investigar?” ou “o seu amigo juiz não vai fazer nada?” demonstram uma covardia e uma ignorância sem precedentes. Em primeiro lugar, minha coluna no jornal é do tipo “crônica”, que não comporta uma reportagem investigativa. Muita gente não sabe, mas os jornalistas tem sua especialização, como os médicos. Também essa ignorância sobre as funções profissionais atinge quem atribui ao meu amigo Maurílio o poder de investigar. Juízes não podem interferir nas causas que podem vir a julgar. Nem a polícia pode investigar, se não houver uma denúncia. A obrigação de denunciar é do Ministério Público.
Vamos, então, pedir que Divino tenha um Promotor Público efetivo e permanente, exclusivo da Comarca. A permanência de um Promotor na cidade irá, inclusive, auxiliar na melhoria das condições de segurança pública, agilizando processos.
Olha só como uma coisa “puxa” a outra!
O bem e a justiça, quando bem executados, criam uma verdadeira reação em cadeia: o caso do hospital contribui para a segurança; a segurança melhora os índices de desenvolvimento humano da cidade e os índices melhores de IDH justificam investimentos e maiores repasses ao município.
Também vai ser bom que uma auditoria esclareça o que aconteceu, porque dinheiro público é um dinheiro muito sagrado, suor do povo, e como tal deve ser respeitado. Não se trata de “caça às bruxas”, mas de “dar nome aos bois”. Evita-se, desta forma, que muita gente boa seja injustamente classificada. Evita-se também que os “comentaristas” da cidade cometam o pecado de mentir e de levantar falsos testemunhos. Muita utilidade terá, assim, esta auditoria! Vamos saber como o incêndio começou.
Agora, precisamos prevenir novos incêndios: desenvolver um mecanismo protetor para as finanças do Hospital é muito necessário. Transparência! É a resposta que todo cidadão quer ouvir para os esforços de todos os que contribuíram para que a instituição não falisse.
Então por quê não nos mobilizarmos para que novos incêndios não aconteçam?
Vamos cobrar, gente! De todos os lados, de todos os partidos, de todas as religiões, de todas as orientações sexuais, de todas as torcidas, de todos os corações possíveis.
Senão, pode acontecer de novo... E aí, vamos – cada um de nós – assumir a responsabilidade, a culpa e o peso de nossa omissão.


         Izaida Stela do Carmo Ornelas

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O DIREITO DE NÃO REAGIR







A lei de ação e reação pertence à Física. Isso não quer dizer que seja uma obrigação, uma lei do relacionamento humano.
Quando aquela pessoa te insulta... Quando falam mal de você ou de um filho seu... Quando estoura a paciência, quando é a gota d’água ou chegou o fim da picada...
E uma voz, lá no fundo, te pergunta:
- Vai deixar barato?
O que você responde?
Difícil?
Pois saiba que é seu direito silenciar. É seu direito ser, assim, mais forte do que seu agressor.
É nosso direito exercitar o silêncio.
E não se trata de falta de humildade: é nosso direito mostrar o quanto do Cristo habita em nós.
Ter autocontrole é para poucos. E é uma decisão inteligente. Não revidar é não aumentar o mal, não dobrar a energia negativa no ar.
Trata-se do primeiro passo rumo ao perdão. Isso mesmo, aquele mesmo perdão que Jesus mandou exercitar setenta vezes sete vezes! E o quanto estamos longe disso!
Além do direito de não reagir, é seu o direito de manter sua alma em paz. A faxina que faz o perdão é também um direito, conquistado a duras penas: o esquecimento de si mesmo, a superação do orgulho e do egoísmo.
Devemos estar sempre tentando promover esse bem.
Não digo que não seja necessário esclarecer os fatos, botar em pratos limpos, essas coisas que libertam, porque a verdade liberta. Afinal, disciplina também é caridade. Ou seja, ensinar alguma coisa a esses irmãos maledicentes, com paciência e misericórdia, é cumprir as determinações do Mestre.
Um bom começo é ensinar pelo nosso próprio exemplo.

Izaida 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O PRÓXIMO DA FILA






Muitas vezes elegemos nosso próximo conforme nosso egoísmo. Assim... Nosso próximo preferido é nosso umbigo.
Pensamos em atender as vontades de nossos umbigos, como se fossem as nossas próprias vontades. Rs. rs. rs. E deixa que o próximo real se dane... Que aquele que está atrás de mim na fila espere além da conta, afinal, meu umbigo é o dono da cocada!
E porque meu umbigo é muito importante, se sente no direito de furar filas, de ludibriar as pessoas de todas as formas possíveis, de ferir, de caluniar.
Pelo poder de nosso umbigo, acreditamos que pessoas e coisas estejam sempre ao dispor dele, porque nós não usamos as pessoas (somos bonzinhos!), mas nosso umbigo não tem lá esse discernimento... Por isso é que a gente aprende a substituir as pessoas como se estivessem numa fila, à nossa disposição. E chamamos: “o próximo”.
Quem será meu próximo? Foi esta uma pergunta dirigida a Jesus.
Quem terá a “honra” de ser o próximo humilhado, ferido ou prejudicado pelo meu lindo umbigo? Será o velhinho que tem que passar na rua porque bloqueei a calçada quando estacionei meu carro do ano? Será a criança que vai escorregar na embalagem plástica que eu joguei no meio da rua? Será o deficiente que não vai ter acesso à vaga especial ou à acessibilidade porque meu umbigo precisava parar ali “só um instante”?
Aliás, meu umbigo desenvolveu uma técnica muito interessante para lidar com o próximo: toma ares dignos, com aparente nobreza, e pergunta “você sabe com quem está falando?” O próximo, acuado, se recolhe quando deveria perguntar: “Quem você pensa que é, Deus?”
E nós continuamos aqui, sempre muito confortáveis, escondidos atrás de nossos umbigos.

Izaída Stela do Carmo Ornelas




domingo, 20 de janeiro de 2013

Tem gente que faz. Tem gente que desfaz.




Após a matéria anterior, diversos comentários e abordagens me conduziram a analisar um pouco mais profundamente a questão.
Em primeiro lugar, bateu muita saudade da Guarda Mirim: extinta e não substituída. Tirada do povo, sem que qualquer outra alternativa fosse oferecida à população que dela se beneficiava.
A Guarda Mirim tirou muito adolescente da badernagem... 
Aquela gente fazia e foi impedida de continuar fazendo.
O problema é que a questão do trabalho adolescente foi completamente resolvida. Desafio a quem “resolveu” esta questão a resolver – com a mesma eficiência - a questão do consumo de álcool entre estes mesmos adolescentes!!! Não vemos, em Divino, adolescentes trabalhando, mas bebendo... 
A Guarda acabou por força da Lei, mas deveria continuar, por força da Justiça. Porque nem sempre a lei é justa. Nem sempre. Afinal, a escravidão também era uma Lei: e reduzia seres humanos a objetos. Pretensamente livres, agora estamos todos juntos, ainda agrilhoados.
E a injustiça muitas vezes é o resultado do cumprimento da Lei. Acontece quando, muitas vezes, a jurisprudência não exprime a prudência que lhe deu origem. Afinal, a extinção desse serviço não levou em conta a amplitude da questão.
Hoje em dia, enquanto as autoridades proíbem o trabalho adolescente, vem o tráfico e os alicia, bem cedo, antes que pais e mães tenham sequer o tempo de lhes ensinar uma profissão... Ao extinguir pura e simplesmente a entidade, uma alternativa deveria ter sido projetada. Deveriam ter pensado nas consequências... 
É o caso de gente que desfaz...
Mas muita gente faz, ainda bem.
O grupo do EJC tem trabalhado muito, com louvor. Aqui mais uma lembrança: no meu tempo, na Casa Paroquial havia um espaço pros jovens com jogos diversos: pingue-pongue, damas, xadrez, etc. O ponto de encontro “bombava” como dizem hoje. Foi obra de Dom José Moreira, sempre antenado com os jovens. Saudade foi o que restou.
A comunidade da Igreja Batista, inclusive, está construindo uma excelente alternativa de lazer para a moçada. Com certeza, a quadra está funcionando segundo a Vontade Dele.

Falta o trabalho de quem ainda nada fez...
Falta o trabalho de quem nada faz...


Izaida Stela do Carmo Ornelas

sábado, 12 de janeiro de 2013

SEMPRE UM DEFEITO




Neste final de ano me veio a lembrança de pessoas que muito fizeram por Divino e nem sempre tiveram sua importância reconhecida.
Comecei me lembrando de Seu Capucho. Ele cuidava da limpeza das ruas, nos meus tempos de menina. As ruas eram sempre muito limpas; ele fazia questão de varrer qualquer areia dos meio-fios, recolhendo o lixo em sua carrocinha. Um pouco mais tarde, talvez pelo crescimento da cidade, passou a contar com a ajuda de um burrico. E os progressistas viam naquele cuidado artesanal um sinal de atraso: um cuidado profissional era o que Divino precisava...
Tem sempre alguém vendo um defeito!
E o trabalho amoroso foi sendo substituído pelo mero cumprimento de horas; o pagamento em dinheiro passou a ser mais importante que o reconhecimento e que a satisfação de se fazer um bom trabalho.
Com tanto lixo nas ruas, ultimamente, penso que não fomos educados o suficiente para reconhecer e respeitar o esforço que o outro faz para nos servir! A maioria das pessoas não vê mal nenhum em jogar na rua palitos de picolé, copos descartáveis, bingas de cigarro... Mas quando a situação se acumula, percebemos que a falta de educação, em conjunto, traz grande impacto negativo a todos.
Saudades do tempo de Sr. Capucho!
Depois me lembrei do Lourival Bernardes de Mello – o Vavá. Quantas carteiras de identidade eu vejo, datadas de 05/05/2005, quando ele promoveu uma Ação Global na Praça! Sem contar as crianças que ele apresentou ao esporte e que se destacaram em nossa região... Além disso, levou nossa cidade às manchetes da TV, promovendo as 50 Horas de Pelada.
A história continua... Tem sempre um defeito! Não pretendo entrar em problemas pessoais, mas reconhecer méritos de ação efetiva, como os que citei acima. Novamente, relembro: tem sempre um defeito. Mas, depois dele, quem fez melhor? Quem fez, no mínimo, igual?
Qual é o maior defeito?
O Arraiá da Alegria, que se fundiu ao evento da Exposição, era realmente uma alegria que Dona Débora nos proporcionava. Pra quem não se lembra, era como se fosse o Arraiá do Sukata, mas acontecia durante a semana toda. Tomava a pracinha do Asilo, divertindo sempre. E sempre tinha uma festinha pro povo não se entediar. Mas tinha defeitos... E agora, no lugar dos defeitos, não tem quase nada... Mas ainda tem defeitos.
Como o Carnaval vem chegando, senti saudades do Bloco Só Falta Você, do Xaconóis, onde o falecido Jorge da Preta tocava bateria, a Rosemary dançava e a gente aplaudia. Também tinha defeitos...
E como eu sou cheia de defeitos, vou parar pra pensar...


                Izaída Stela do Carmo Ornelas.


domingo, 2 de dezembro de 2012

SOCORRO URGENTE!!!




Existem dois extremos na vida que são os mais frágeis: a infância e a velhice.
Nesse sentido, peço socorro.
Este pedido tem sido entregue por um menino aos velhinhos das filas de recebimento de INSS.
O mesmo menino tem abordado as pessoas em lojas, mercados e até consultórios médicos, em Divino!
Me foi entregue na quinta-feira, 29/11.
E algumas perguntas não querem calar...
Me digam as respostas, quem puder me ajudar...
É preciso buscar a razão das coisas:
Qual a razão do pedido?
O menino deveria estar na escola?
Os velhinhos estão sendo acuados?
Por quê esta mãe não encontrou emprego?
Quem redigiu o papel?
Será que recebem Bolsa Família?
Os velhinhos estão sendo explorados/enganados?
A quem recorrer?
Lembrei-me dos amigos do Face e do Orkut, das mensagens bonitas que recebo deles. E das mensagens que mando e nem sempre tenho resposta.
Desta vez, tenho certeza que será diferente!
Que o Espírito Natalino nos ajude!
A razão de estar aqui escrevendo é que minha consciência não está tranquila, sabendo que amanhã teremos outras filas de velhinhos aposentados, e novamente meninos pedindo, com seus panfletos cuidadosamente digitados em computador.
Ou será num tablet? (A cara da riqueza!)
Por isso, venho pedir aos amigos internautas que intercedam junto às autoridades competentes, para que o menino tenha um bom Natal, juntamente com sua família, com os velhinhos, com nossa sociedade e suas autoridades.
Peço paz.

ANTECIPADAMENTE AGRADEÇO.

Izaída Stela do Carmo Ornelas



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