domingo, 1 de maio de 2011

Tá bulindo comigo!!!




Melhor não "bullir". Não vá deletar...


Muito antes do bullying ser conceituado, nossos brasileirinhos do nordeste já o haviam descoberto. Trata-se de “bulir”, mexer, provocar.


Vejamos:

- Fulano tá bulindo comigo.

- Pare de bulir com ele, menino.

Quem não ouviu uma frase destas?

Então, vamos assumir a sabedoria popular brasileira, que se antecipou à importação do termo e de sua conceituação.

E quando verificamos a vasta existência desse fenômeno social, percebemos além da posição simplista da discussão centrada na escola ou, melhor dizendo, na idade escolar.

Considerado em suas características básicas, o bullying acompanha o indivíduo pela vida afora: é o chefe que assedia moralmente, é o familiar chantagista, é o vizinho provocador...

São muitas as circunstâncias em que essa patologia se instala.

Cumpre ao indivíduo se preparar para o enfrentamento destas questões, ao invés de ser ‘poupado’ por leis, curadores e outros personagens protetores de nosso estado-de-conto-de-fadas. A realidade se impõe, desde sempre, obrigando o indivíduo a evoluir. Não existe evolução social que não comece pela evolução pessoal, ou melhor, por pequenas evoluções individuais.

Episódios de bullying - como tudo nesta vida - têm também seu lado bom, quando se revelam oportunidades de aprendizagem. Podem ser comparados, nesse sentido, a reproduções lúdicas de situações reais da vida adulta: um brincar de gente grande, de casinha, de profissional, de mocinho ou de bandido. Brincando de se defender, a criança aprende a ser conciliadora, tolerante, positiva, analítica... São muitas as habilidades passíveis de serem adquiridas em situações de bullying.

Assim sendo, partimos do socrático “conheça a ti mesmo”.



PS. Coluna escrita sob inspiração de Ancelmo Gois



terça-feira, 26 de abril de 2011

GRATIDÃO

Acredito que a gratidão é condição fundamental para a evolução de pessoas e comunidades.






Divino deve muito a este homem.

Pra quem não conheceu, este foi o Juiz Diógenes de Araújo Netto, idealizador da Escola da Comunidade Divinense, que lançou Divino ao status de pólo regional em educação.
Mineiro de Abre Campo, ele receberia a Medalha da Inconfidência no dia 21 de abril de 2011. Infelizmente, faleceu em Belo Horizonte uma semana antes do evento, no dia 15.
A ele, o reconhecimento por tudo o que representou na busca por melhorias sociais, por dignidade e por nobreza de ideais.

Sobre ele, no site da Amagis, tem-se:
Quando menino, sempre ouvia de seu pai: “Você pode ser o que quiser, menos advogado”, relembra o magistrado, frisando que seu pai tinha certa “ojeriza” desse profissional. Prestou vestibular para engenharia, mas apesar de ser muito estudioso, não passou nas provas. O destino já o levava em direção ao direito. E foi pra ele, de fato, que Diógenes se dirigiu. Passou em um dos primeiros lugares no vestibular na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro. Contra o gosto de seu pai, deu início ao curso, o qual concluiu em 1952. Anos depois, prestou concurso para a magistratura mineira e, em 1958, entrava para a carreira que ainda lhe renderia uma série de surpresas.
Quando o senhor iniciou a carreira foi obrigado a ficar afastado e parar de atuar na magistratura. Como isso aconteceu?
Eu estava em minha primeira comarca, na cidade de Divino, onde também fui o primeiro juiz. Em 1964, em plena revolução, recebi a notícia de que acabara de ser colocado em disponibilidade. Naquele ano, fui condecorado pelo Ato Institucional nº 1. O motivo? Até hoje, eu não sei. Saiu uma publicação no Diário Oficial dizendo: o governador, com base no AI nº1 resolve colocar em disponibilidade o bacharel Diógenes de Araújo Netto.  Só isso, sem qualquer motivação. Eu continuava a ser juiz, mas não podia exercer a atividade.
Quais os efeitos que o fato trouxe para o senhor, tanto na vida pessoal quanto na profissional?
Na vida profissional, eu acredito que tenha prejudicado na minha promoção. Hoje, eu poderia ser um desembargador aposentado. Mas, o maior efeito, acredito, que tenha ficado com minha família, que ficou triste com o que estava acontecendo, e com meus amigos. Alguns deles ficaram até em dúvida, imaginando que eu pudesse ter feito alguma coisa para ser colocado em disponibilidade. Eu não sabia explicar por que não sabia o motivo. Se havia algum, até hoje, eu desconheço.
Nesse período, em que o senhor não podia exercer a magistratura desenvolveu alguma atividade?
Fiquei 16 anos sem poder atuar na magistratura. Eu era professor, na época, com título do Ministério da Educação. Comecei então a lecionar e fiz o curso de Letras na Faculdade de Filosofia de Caratinga. Fiz pós-graduação e me tornei mestre em lingüística e filologia. Lecionei latim na mesma faculdade onde estudei.
Quando e como se deu o retorno do senhor para a carreira?
O meu retorno se deu em 1980, possibilitado pela anistia. Eu parei de lecionar e voltei a atuar como juiz na comarca de Teixeiras, onde fiquei apenas três meses. Abriu uma vaga por antiguidade, e eu era o juiz mais antigo, já que foi contado meu tempo de disponibilidade. Fui para Campanha, onde fiquei seis meses, sendo promovido por merecimento para Caratinga. Lá, fiquei seis anos e fui promovido, também por merecimento, para Belo Horizonte.
Depois da aposentadoria, em 1995, pela compulsória, voltou a lecionar?
Iniciei um trabalho de escrever um dicionário de grego moderno. Hoje, ele está pronto, em fase de revisão. Além disso, coordeno trabalhos na minha fazenda de produção de café.
Para o senhor, qual a importância de uma associação de classe?
A associação de classe representa a força para defender os direitos de cada associado e estudar o campo de ação da classe, para que haja melhor produção, e para que o produto seja mais qualificado. A Amagis representa, a meu ver, exatamente o desejo da magistratura de estar sempre se atualizando e melhorando. O objetivo, alcançado pela Associação dos Magistrados Mineiros, é trazer mais força e prestígio para os juízes e desembargadores, para que eles possam desenvolver cada vez mais e melhor seu trabalho.
A Amagis lançou a MagisCultura, revista de cultura e arte dos magistrados mineiros. Qual a opinião do senhor sobre a revista?
Acho que é um trabalho muito importante. A arte e a literatura amaciam o sentimento da gente, e todos nós nos resumimos em sentir, pensar e agir. Principalmente, o homem magistrado, o juiz. Ele tem que ter uma sensibilidade delicada, um pensamento sólido e uma ação decidida e segura.
 
Como ex-aluna da Escola da Comunidade, senti-me obrigada.
Obrigada.
 
 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

ORAÇÃO FRENTE À PERDA



Com tantas tragédias acontecendo no mundo...
Com tantas tristezas espalhadas...
Na tarde que sucedeu ao Massacre de Realengo, um acidente de trânsito colheu Danilo, 21 anos, filho de minha amiga de infância. Recolhi-me em prece e escrevi uma oração, único consolo possível nestas despedidas.
Dedicada a Silvana Alves Frossard.

Senhor
Diante de Ti me encontro, como em todos os dias de minhas vidas. Foram dias por Ti contados. Marcados pelo Teu desejo de que eu melhore e evolua sempre.
Em muitos desses dias recebi alegrias, muitas delas proporcionadas pela pessoa que se foi, conforme a Tua permissão. Agradeço cada sorriso, cada bom momento, cada pedacinho de felicidade que o Senhor colocou em minha vida. Obrigada, Mestre.
Em outros dias, vivenciei tristezas. Por elas também Te agradeço, Mestre. Porque eu não seria capaz de reconhecer a tristeza, se não tivesse antes conhecido a felicidade.
Percebi mudanças no mundo e em mim, ao longo desses tempos. O que não mudou nunca foi Teu cuidado por mim. Novamente, obrigada.
Neste momento de profundo pesar e de insistentes lágrimas, meu coração recorre ao Teu amor.
Pai amigo, eu lhe suplico...
Me dê forças para enfrentar a dor, a ausência, a saudade, vencendo-as uma após outra, para a glória do Teu nome.
Me ensina a conviver com esses sentimentos tão contraditórios. Porque a perda é uma ilusão. O aprendizado virá e a Tua Verdade me libertará da revolta, da angústia, do desespero.
Afasta de mim o cálice da incredulidade, do desamor, da depressão, da inércia. E me dá de beber a ação, o amor, o trabalho. Que não me faltem a solidariedade, a compaixão e a caridade, que doravante serão meus companheiros.
Também permita que eu aprenda a me bastar, para não contagiar ninguém com minhas fraquezas, como Jesus crucificado se resignou em suficiente fé e paz.
Me ilumina para que eu possa reverter todo o meu sofrimento em exemplos, que vão fertilizar almas. Converta em lições  minhas feridas, minhas tragédias, minhas lembranças. E alcance os corações de todos através de minha triste história: fortalecendo os que se encontram feridos como eu e encorajando aqueles que possam impedir que outros sejam feridos da mesma forma que eu.
Me aqueça com a humildade, que me mostra o quanto sou pequena, frágil e dependente dos outros. E me vista de coragem, porque preciso estar junto aos irmãos que são pequenos, frágeis e dependentes de mim. Em Ti me fortaleço, porque só junto a Ti está o conhecer, o sentido, a Vida.
Põe em mim Tua mão e cura meus medos, minha falta de fé, minhas dúvidas. Cuida, quando eu tropeçar. Suporta minha lamúria. Acalenta minha vida.
Faz com que a força do Cristo me ampare e a duçura de Maria me conforte.
Por fim, me ensina a amar mais. Porque minha perda não significa um amor que se foi, mas um amor que ficou. Um amor presente, cuja beleza não pode ficar escondida. Que meu amor transborde e acolha, multiplique e floreça. Conforme a Tua Vontade.
Abençoa minha família, minha comunidade, meu país e nossa humanidade.
Para meus queridos que se encontram junto a Ti, beije-os por mim, Senhor.
Que sejamos todos sustentados na luz que de Ti emana.

Assim seja.

                                   Izaída Stela do Carmo Ornelas




quarta-feira, 30 de março de 2011

CULTIVAR A PAZ INTERIOR PARA MELHOR ENTENDERMOS O NOSSO PRÓPRIO MUNDO




Recebi nova reflexão da amiga Maria de Lourdes Siqueira da Silva, um grande talento de Divino. Fico muito feliz em compartilhar com vocês:



É difícil acreditar, mas é preciso mergulhar num mundo desconhecido para melhor entendermos nosso próprio mundo.
Simplificar a nossa vida.
Cultivar a pureza de nosso coração.
Pedir ajuda.
A paz é uma conquista daqueles que se amam.
Ao entrar no local de trabalho, faça uma oração em silêncio e cumprimenta a todos com alegria.
Sorria mais, relaxe, busque um cantinho dentro de você, porque não á somente o dinheiro que faz alguém feliz. O sorriso é o afeto sublime da própria alma que na manã renascente é também um sorriso de Deus.
O amor que devemos ter para com os nossos semelhantes nos encanta, suaviza a nossa alma e nos leva ao encontro do Criador.
É preciso que coloquemos filtros em nossa vida e ao recebermos as notícias de violências, de pessoas que maltratam seus filhos, notícias de sequestros, mulheres que são espancadas e mortas por seus esposos... Ao receber as notícias – sejam elas quais forem – analisar e rapidamente descartar o que não for realmente importante para nossa caminhada.
No mundo em que vivemos nós encontramos muitos obstáculos; devemos ter fé, que é a mais sublime das virtudes. Mesmo durante as piores tempestades, é preciso cultivar a paz em todos os lugares em que estivermos presentes.
Não devemos manifestar em nosso rosto o espelho daquilo que dia a dia nos consome, mas ser pacientes e sofrer com calma, numa oferta de amor ao Santo Deus.
Cultivar a paz interior é o primeiro passo para promover a paz mundial.

Maria de Lourdes Siqueira da Silva.  

domingo, 13 de março de 2011

SANTA PICUINHA!





As picuinhas continuam.


Infelizmente.

O piso da Matriz foi destruído. Ao lado da notícia, as pessoas se preparam para exercer o que pode haver de pior nelas: sua arrogância e sua ignorância.

Não vou comentar a atitude do padre, porque já me sinto exausta de tanta especulação. Como já comentei no site do jornal Impacto, gostaria mesmo de saber o que é que Jesus achou disso...

Meu primeiro pensamento, quando vi as fotos do piso quebrado, foi imaginar o amigo Padre Jaime Moratinos entrando naquela Igreja toda quebrada... Ele que era conhecido por pilotar sua rural velha e falar com sotaque espanhol carregado... Ele que cultivava diversos vasos de plantas pra enfeitar a Igreja no casamento de pessoas que não tinham como contratar serviços de decoração... Ele que, já em Sepetiba, saía pela praia “arrecadando” vasilhas utilizadas em despachos de macumba, lavava, vendia no bazar e distribuia o dinheiro aos pobres...

Saudades de um tempo sem tantas picuinhas. Saudades de Padre Levy, sempre bonachão, de Padre Moreira e sua empatia com os jovens. Passado. Esse tempo “não volta mais”.

Mas ainda tem muita gente de atitude povoando nosso presente, sonhando e construindo um futuro mais solidário. Mesmo que a duras penas.

Nesse sentido, vou cumprimentar mulheres corajosas: Andréia Medeiros, que está cumprindo com louvor sua função de defensora do patrimônio histórico; Zilda Amélia Rocha, cuja família está inserida no coração e na história de Divino há muito; Dra. Jaqueliny, que não se omitiu na promoção do esclarecimento. Meninas, o nome – corajoso - de vocês fará orgulho em seus netos!

Triste foi saber que as duas primeiras vêm sendo execradas por algumas pessoas da comunidade. Que coisa feia! Pior ainda que as pessoas que as condenam são as mesmas que não se condenam... Têm suas dívidas ocultas e seus interesses escusos muito bem dissimulados. Talvez pensem alguma coisa com alguma clareza, mas para essas pessoas é mais fácil não pensar, não ter opinião e sair por aí apontando o dedo...

Por que não fazem o mesmo com a promotora? Por que não a procuram, como fazem com as outras? Porque é mais fácil atacar quem não tem defesas. Ô povo covarde! Se o caso se desse com um pastor, será que se portariam e que agiriam da mesma maneira???

Ah! Com esse tipo de gente aprendemos que são vários pesos e várias medidas. Que se assumam! Que parem de agredir!

De resto, vamos deixar de lado a hipocrisia!

Deus é único, embora se expresse em formas e nomes diversos. Pessoas são pessoas. Ponto. Quando um padre (pastor, monge, etc) excede o limite de velocidade, ele é multado, como qualquer outro cidadão. O que quero dizer é que ele, na esfera jurídica, é um cidadão como todos: paga impostos, multas, responde por direitos e deveres comuns. No âmbito espiritual, marcado pela grande responsabilidade que ele carrega, ele é tão filho de Deus como todos: nosso irmão, assim como Jesus. Não vejo, assim, sensacionalismo em convidar um representante religioso a depor. No caso de Divino, não acredito que nenhum policial tenha agido com falta de respeito. Na verdade, a polícia está cumprindo seu papel, executando ordens previstas em um código, em uma Constituição.

Exercício de opinião e de dever – dentro dos ditames do respeito – é pleno direito de todos. Não a agressão. Não a futrica. Não a intriga.

Felizmente, nem tudo é sordidez. Tem muita gente mostrando que o exercício democrático da opinião é prazeroso, é um diálogo produtivo, aberto ao outro. Me orgulha ver pessoas expressando opiniões diversas de forma respeitosa. Tanto contra, quanto a favor. Parabéns a quem mostra sua face e seu apoio ao padre: Deceles, Luzia, Laura, entre outras. Aliás, senti falta de comentários, nos sites dos jornais, dos padres divinenses e também dos que já atuaram aqui...

Que Deus ilumine a todos os que se escondem atrás de pseudônimos, de iniciais, de codinomes medievais. Porque esses se escondem de si mesmos, afinal.



Izaída Stela do Carmo Ornelas

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A SENTENÇA



Quem tem boca vai a Roma, ensina o ditado.
Quem tem conhecimento, vai ainda mais longe.

O conhecimento e a coragem são duas ferramentas muito necessárias para promover o bem. 
Assim, abusos e desmandos são evitados e a verdadeira justiça é promovida.

José Lucas Alvarenga questionou a legalidade da cobrança da tarifa de esgoto pela COPASA. Esta cobrança foi regulamentada pela Lei Municipal n.1683/2008, aprovada e autorizada pelo governo da época.

O processo movido por ele – n.º 10.001371-1 foi analisado pelo MM Juiz da Comarca e a sentença diz o seguinte:

Ora, se a tarifa representa preço público pago pela prestação direta do serviço realizado por algum delegado do Poder Público, como se exigir antecipadamente por serviço não usufruído pelo cidadão?
...
Deste modo, a possibilidade da cobrança indubitavelmente está atrelada à efetiva prestação dos serviços de esgoto, o que, como dito, ainda não foram implantados no município de Divino e nos distritos mencionados.
...
O serviço realizado pela ré é evidentemente viciado, em decorrência de se cumular, à tarifa cobrada pela água, a outra direcionada ao serviço de esgoto, que não é disponibilizado ao consumidor.
...
Logo, a cobrança da tarifa de esgoto é ilegal e o autor deve ser restituído das quantias que pagou indevidamente.
ISTO POSTO, julgo procedente o pedido formulado para declarar nula e indevida a cobrança da “tarifa de esgoto”, suspendendo a cobrança enquanto serviço não for efetivamente colocado à disposição do autor.
Condeno a ré em restituir ao autor os valores que foram cobrados indevidamente do mesmo, corrigidos monetariamente desde a data em que foram pagos.
Para fins do disposto nos arts. 81, 82 e 91 do Código de Defesa do Consumidor, remeter cópia desta decisão ao Ministério Público, independentemente do trânsito em julgado.
...

Para que o benefício se estenda aos demais consumidores é preciso que o Ministério Píblico mova uma ação pública, o que só acontecerá se houver em Divino mais pessoas com conhecimento e coragem...
Para que o mesmo não ocorra novamente, sugiro aos eleitores que procurem saber como foi a votação da tarifa na Câmara, à época da lei aqui citada.

Publicado em comemoração a mais esta vitória do bom senso.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

CONVERSA



Quando eu te falar em encontro, na sua mente, com certeza, algo muito vago aparecerá... E estará longe nosso alcance, enquanto diferenças saltam aos olhos.
Afinal, quando eu não sei o nome do personagem principal da novela das oito, te decepciono. Se você não sabe o preço do dólar, me assombro.
Nossa conversa não continua. Nos separamos sob aparente cordialidade. Nossos pseudocompromissos urgem.
E sentimos saudade do tempo e saudade de ter tempo.
Longe no tempo, neste mesmo espaço, nossas mães e pais conversavam animadamente e combinavam um grande almoço de domingo! As alegrias entre as crianças que éramos não nos servem mais: crescemos e somos egoístas a ponto de não proporcionar a nossos filhos a união.
Enterramos os hábitos de visitar e receber, sob o cansaço, a tv e a preguiça.
Se eu te perguntar qual foi a última visita que nossas casas receberam – caso a gente ainda se lembre – é provável que tenha sido um vendedor ou coisa parecida.
Também, tanto você quanto eu, não visitamos ninguém.
Se você me convida, não vou. Comodista e auto-suficiente, sento-me frente a esse computador idiota. Recolho-me à insignificância de meus trabalhos, enquanto as crianças assistem àquele novo desenho... Afinal, tenho de trabalhar para comprar novos DVDs, mais CDs.
Em sua casa a coisa apenas aparenta ser diferente: uma cerveja e um jornal te acompanham. Você se lembra de mim quando alguma notícia pode servir para encompridar nossa ‘conversa’. E os dias passam junto aos capítulos da novela.
Lembro-me de você quando vejo aquelas propagandas de solidariedade. Poderíamos ajudar muito. Sozinha, desanimo. Se te encontro, esqueço de falar... Esquecimento fútil, banal sintoma do estresse...
Na hora de dormir, minha prece te inclui porque você é divinense – e peço por todos meus irmãos de terra. Só aqui minha comunicação é eficiente! Mas a união fica restrita a um Deus, como se Ele não tivesse filhos...
Um dia vou te perguntar como é sua oração. Não. Afasto a idéia. Você vai tomar por invasão de privacidade.
Se você lesse essa crônica, faríamos tudo diferente?
Amanhã é domingo...




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