quinta-feira, 7 de junho de 2012
sábado, 26 de maio de 2012
A VERDADEIRA FACE DO ESPIRITISMO
Após diversas indagações informais
acerca do espiritismo...
Duas máximas se destacam na
filosofia espírita: “Fora da Caridade não
há salvação” e “Amai-vos e
instrui-vos”. Caridade plena é a expressão maior do amor a Deus, que habita
em cada irmão. Amar e instruir são ações simultâneas, que têm como objetivo
nossa construção moral através da humildade.
Em primeiro lugar, o espiritismo ensina
o amor a Deus e ao próximo, conforme os ditames de Jesus. Assim, a prática e o
respeito ao Bem se apresentam como forças incondicionais para a existência - e
evolução - do ser humano. Além de ser um dever-direito garantido pela
Constituição, o respeito a toda e qualquer expressão do Bem, é o grande
distintivo entre o racional e o irracional, destacando o homem dentre outros
animais.
Em segundo lugar, a ética
espírita nos impede de evocar espíritos. Chico Xavier afirmou certa vez que “o telefone toca de lá para cá”. As várias
cartas consoladoras que ele psicografou exemplificam esse fato. Por consequência,
tem-se que a maioria de nós já ouviu relatos de alguém que tenha visto algum
espírito, independentemente de sua vontade de ver. Assim, o fenômeno das
comunicações e aparições, para nós, passa a não ter tanta importância... Importa
a caridade, a evolução, o amor...
Porque, em terceiro lugar, o que
importa mesmo ao verdadeiro espírita é o fenômeno interno, de sua reforma
íntima. Partindo de uma reforma de si, adquirindo valores e virtudes, o homem
estará melhor capacitado a melhorar o mundo, porque melhorou a si mesmo. E se
tornará agradável a Deus.
De acordo com Alan Kardec, “reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua
transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más
inclinações.” O espírita apenas pretende fazer de si uma pessoa de bem, do
Bem.
Uma casa espírita, finalmente, é
muito parecida com uma escola: livros, mesa, cadeiras, quadro de giz. Não tem
imagens, nem instrumentos musicais, nem incenso. E uma reunião se parece com
uma aula. Na verdade, é uma aula para aprendermos a praticar e vivenciar as
lições do Cristo.
Palavras de Jesus: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”.
Do preconceito e da injustiça,
inclusive!
Izaída
Stela do Carmo Ornelas
sábado, 5 de maio de 2012
CÍRCULO VICIOSO
Moramos em um conjugado - alugado – na rua Voluntários da
Pátria, em Botafogo. Viemos de um salário humilde – somemos os vencimentos.
Tomamos dois ônibus lotados por dia – bem divertido; é lazer. Pagamos todos os
impostos – atrasados. Usamos roupas de marcas famosas – como todos os outros
casais de classe média/alta. Assim somos definidos. Auto-identificados...
Meu marido comprou hoje um jogo novo de cozinha igual
àquele de novela. O velho eu reformei e coloquei no banheiro. Deu um toque
muito original. Aproveitando o cartão de crédito oferecido pela loja, trouxemos
uma nova geladeira, um colchão e um vídeo-cassete. Um luxo.
Concordo plenamente com minha vizinha ao afirmar que “nos
dias de hoje cometer a loucura de comprar é uma necessidade”. Aproveito a
necessidade de retribuir os presentes de meu marido para relaxar olhando as
vitrines. Durante uma tarde em Copacabana encomendei onze vestidos, um Summer e
seis jeans personalizados.
O aumento dos salários nos encorajou a adquirir uma cama
nova, já que a outra fizemos de sofá e também um sofá, porque a cama era
extremamente desconfortável. Acompanhando as peças, escolhemos alguns objetos
decorativos que combinavam.
Na noite seguinte soubemos notícias sobre um aumento dos
gêneros alimentícios. Pela manhã fui ao supermercado e trouxe quinze pacotes de
comida pra cachorro. A moça garantiu que era bom. Mas não temos cachorro.
Resolvemos empilhar no canto que nos serve de quarto, atrás do biombo japonês.
Passados três dias, dos vinte e oito metros quadrados
ocupados, restavam-nos três: perto do fogão na cozinha, o espaço do vaso
sanitário no banheiro e, naturalmente, a frontal da TV. Isso somente porque
aguardávamos a chegada de alguns tecidos, produtos de beleza e tijolos tipo
lajota.
Pela madrugada saímos pela rua. Felizes por ter a casa
suprida. Entupida. Não mais trabalharíamos: aposentadoria. O tempo acabou
passando. Pensando nisso ganhamos a areia da praia: nus. Ainda não havíamos
comprado livros. Nem discos...
sábado, 14 de abril de 2012
REBELDIA
Uma religião milenar
ou simplesmente coragem?
Na volta às raízes sou rebelde.
Quando vivo a árvore: rebeldia.
No presente intenso
uma engrenagem nova
é apenas original.
Então, rebeldia.
Não escrever o que me pedem nesse momento...
Por quê?
Quero este tempo;
porque sou este tempo.
Infeliz e dependente.
Dependo de algo que não é meu
para ser diferente.
Nem a própria diferença é minha.
Ela me faz.
Oro.
Aos operários cheios de graxa
e suas Marias com fome de frutos.
Continuo: sou rebelde.
Se não faço nada
de certa forma continuo: rebelde em relação
a meu dever de não-sei-o-quê,
sempre me acomodando.
Um dia me candidato.
Quero ser prefeito do Rio de Janeiro;
empreendo uma grande obra de pintar o Pão-de-açúcar
de preto:
K.PUNK.M.METAL.U2, etc.
Hoje, eleita pelos covardes,
minha chapa é o próprio sistema.
Muito rebelde e com horário fixo na rádio e na TV.
Se eu jogasse as jóias de minha mãe pela janela:
rebelde. Ou louca.
Detrás das grades grito profecias
ao mundo que passa lá fora.
Morro junto aos ratos.
Dão meu nome ao WALL STREET.
Compram ações de minha rebeldia
e a bolsa fecha em alta.
Izaída Stela do Carmo Ornelas
domingo, 8 de abril de 2012
DEFINIÇÃO
Só,
na confusão dos espaços.
Salto
em viagem cadenciada,
em fração de semínima.
Me é permitido querer.
Os sons
como ondas oscilam,
se propagam,
me perturbam.
Ondas...
(Lá,
naquele montinho de terra
além do mar,
tem toda uma odisséia.)
Matéria
não dá sentido
às articulações da alma.
Combinações de vida ou morte;
e ambas em ritmo marcial.
Pelo real,
que não sei se é, se tem, se quer...
Voando
Com a propulsão do salto
do tiro de Ontem,
suicidando-se altruísta
e dando-se a Hoje.
Penso em matar Hoje.
Assassinar.
Um passional
por Amanhã .
Sim,
só.
Na noite não vejo as ondas
mas sinto as nuvens.
A ânsia de as manipular
me abre o teto
sobre a cabeça,
me ejeta
de encontro a um meteorito.
Acordo.
Os sons doem baixinho.
Tem um barquinho
indo de encontro ao montinho de terra
transpondo ondas...
Sou matéria
recheada de nuvens.
Um ser,
um mar.
Sou.
Sua.
terça-feira, 27 de março de 2012
MENSAGENS MEDIÚNICAS
O que mais chama a atenção das pessoas acerca do Espiritismo são as comunicações com os espíritos desencarnados – as mensagens mediúnicas. O assunto é vasto e aqui colocamos algumas das questões básicas para o seu entendimento.
São as diversas manifestações de espíritos desencarnados, com objetivo de comunicar-se com os que ainda se encontram no corpo físico.
Chico Xavier muito bem divulgou essa parte científica da Doutrina, oferecendo consolação a muitos que julgavam perdidos seus entes queridos... A esperança que ele plantou nos corações de todos os que o acompanharam nas reuniões do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, se espalhou pelo Brasil e pelo mundo.
As formas são as mais variadas possíveis, embora a que mais se conheça seja a psicografia – a escrita. Também há mensagens transmitidas através da fala, da audição, da visão, dos sonhos, da pintura, da música, etc.
Allan Kardec escreveu um tratado acerca da comunicação com o mundo invisível chamado “O Livro dos Médiuns”, em 1861; nele encontramos informações completas e precisas.
São três os objetivos principais: esclarecimento, instrução e orientação aos homens; socorro a espíritos em sofrimento e contribuição para o aprimoramento moral do médium.
Santo Agostinho escreve em suas Confissões, depois da morte de sua mãe, Santa Mônica: “Estou convencido de que minha mãe me virá visitar e dar conselhos, revelando-me o que nos espera na vida futura.”
Sob quais condições acontecem as mensagens?
A primeira é a permissão do Criador, sem a qual nada pode ser ou existir. Em seguida temos as seguintes condições: necessidade e merecimento. Não é só por querer, por exemplo, que alguém vai receber uma mensagem – tem que merecer ou haver a necessidade dessa comunicação.
Como em qualquer outro questionamento de nossas vidas, devemos utilizar os ensinamentos de Jesus para analisar a mensagem. Dois procedimentos bastam. Em primeiro lugar, Ele recomendou “daí gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido”. Chico Xavier jamais cobrou por nenhuma dos milhares de cartas que psicografou. Em segundo lugar, quanto ao conteúdo, não pode conter nada que vá contra os dois mandamentos “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, visto que não é permitida a transgressão dos mesmos.
Por quê o medo? Depois de mais de vinte séculos, já nos devíamos ter acostumado... Entretanto, Kardec nos ensina que é preferível negar cem vezes uma verdade do que aceitar uma mentira. Para entender melhor, observe: esse fenômeno obedece aos mesmos objetivos e às mesmas condições das comunicações e para saber se são verdadeiros – ou “do bem” - utilizamos os mesmos questionamentos básicos.
Orando e vigiando, com fé e caridade, o mal não terá a permissão para se aproximar. Exceto em caso de necessidade sua, para que você aprenda com ele.
Estejamos com Deus.
segunda-feira, 5 de março de 2012
TÊMIS
I
Juro que,
Um dia,
Se fizer sol,
Tirarei a toga
Indefinidamente.
Carnaval, talvez.
À chuva lá fora eu jurei.
II
Já que a chuva não parou,
Uso o tempo com sofreguidão:
Separando meus anseios,
Tropeçando em minhas dores,
Ignorando o cansaço.
Conhecendo-me em pormenores
A se recortarem nos processos...
III
Junto ao cadáver encontraram a ré,
Uma criança de dez anos exercitando
Sua legítima defesa da honra.
Tomada, roubada, ensangüentada.
Inocência encerrada num crime
Cruel por não ser único ou último.
A sentença ali eu teci.
IV
Janelas respingadas,
Uma toga cheirando a mofo e
Simulacros de
Toda uma existência...
Inclino-me na sacada
Crianças brincam em poças na rua
Aquela sem inocência também...
V
Jogos de amarelinha e
Utopias que cultivo.
Separando bem e mal
Tomo para mim a culpa, embora
Ínfima parte:
Cuidarei e amarei aquela criança
A sentença é o princípio.
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