quarta-feira, 12 de outubro de 2011

BONZINHO...




Maiakowsky escreveu:


Na primeira noite eles se aproximam
e colhem uma flor em nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite,
Já não se escondem:
pisam nas flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

Assim...

A força maior do mal está na omissão dos bons.

Este é meu alerta para os bons divinenses, aos bons brasileiros.
Onde está a expressão do bem? Onde está a força dos bons?

Não é teoria da conspiração. É a mais pura verdade. Existe um movimento sórdido, planejado em detalhes, para o “esvaziamento” da razão dos bons. Ele começou na segunda metade do século passado e vem se arrastando desde então, permeando os mais diversos governos. Parece até tratar-se de uma sociedade secreta.

Primeiro, no que diz respeito à educação.
-  Com tantos problemas, a gente dá um jeitinho e passa nossos filhos para a rede particular.
- Que se dane quem ficou, pelo menos eu não tive que me indispor com ninguém.
- Bom que eu tenho como fugir disso...

E o governo deixou de gastar com nossos filhos...

Depois, a saúde começou a degringolar. Exames demoram e os atendimentos deixam a desejar.
- Já que eu posso, vou contratar um plano de saúde.
– Compensa pagar um plano de saúde.
- Deixo de comprar muitas coisas, mas pago em dia meu plano de saúde!

E compensa mais é pro governo, que deixa de usar o SEU imposto em SEU benefício...

O próximo passo previsto é o esvaziamento da previdência. Com “rombos” faraônicos, a panelinha que gerencia esse plano de esvaziamento pretende transferir a obrigação previdenciária estatal para os planos privados.

Claro que a sobra vai fazer uma verdadeira festa pra corrupção...

Acoooooooorda povo!!!

Vamos EXIGIR educação, saúde, emprego e previdência em contrapartida JUSTA aos impostos que pagamos.

É justo pagar religiosamente um carnê de INSS sobre X salários e aposentar-se com um valor muito menor? É como comprar uma TV digital de 42 polegadas, pagar por ela, e receber um aparelho comum de 20! É a farra do “só leva quem não paga”!

É justo manter em dia suas obrigações e ter que esperar tanto tempo pra fazer um simples exame? Se a gente deixa o imposto atrasado... Mas quando o governo deixa nossa vida atrasada...

O pior é que estamos deixando essa herança terrível para nossos filhos. Por isso a educação foi a primeira instituição a ser sucateada.


E aí, bonzinho....

Dá pra ficar calado???







terça-feira, 30 de agosto de 2011

A "MALDADE" QUE EDUCA



Este texto é do site Momento Espírita. Não é de minha autoria, mas me expressa fielmente:

EU OS AMEI O SUFICIENTE

Meus filhos, um dia, quando vocês forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de lhes dizer: 
Eu os amei o suficiente para ter perguntado: aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão? 
Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram da mercearia e os fazer dizer ao dono: "nós roubamos isto ontem e queríamos pagar".

Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês por uma hora, enquanto limpavam o seu quarto; tarefa que eu teria realizado em quinze minutos.

Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as conseqüências eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso.

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente..., venci... porque no final vocês venceram também! E, qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, meus filhos vão lhes dizer quando eles lhes perguntarem se a sua mãe era má:

- Sim... nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo.

- As outras crianças comiam doces no café da manhã e nós tínhamos de comer pão, queijo, leite. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos de comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. Ela nos obrigava a jantar à mesa, bem diferente das outras mães, que deixavam os filhos comer vendo televisão.

- Ela insistia em saber onde nós estávamos a toda hora. Era quase uma prisão. Mamãe tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos quando íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.

- Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violou as leis de trabalho infantil. Nós tínhamos de lavar a louça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o pó do chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis.

- Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.

- Ela insistia sempre conosco para lhe dizer a verdade, e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, ela até conseguia ler os nossos pensamentos.

- A nossa vida era mesmo chata. Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que nós saíssemos. Tinham de subir, bater na porta para ela os conhecer. Enquanto todos podiam sair à noite com doze, treze anos, nós tivemos de esperar pelos dezesseis.

- Nossos amigos dirigiam o carro dos pais mesmo sem ter habilitação, mas nós tivemos que esperar os dezoito anos para aprender, como pede a lei. Por causa da nossa mãe, nós perdemos muitas experiências da adolescência. Nenhum de nós esteve envolvido em roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.
Foi tudo por causa dela.

- Agora já saímos de casa. Somos adultos, honestos e educados, e estamos fazendo o possível para ser, também, "pais maus", tal como a nossa mãe.

- Eu acho que este é um dos males do mundo de hoje: não há suficientes mães más como a nossa mãe o foi...



segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ação e reação

 


À arte de agir, corresponde a arte de reagir. E o que é reação? É a resposta a determinada ação. Quando uma pessoa “provoca”, ela o faz objetivando uma determinada reação do provocado. A reação que coincidir com o objetivo do provocador é a mais destrutiva possível. Cabe ao provocado quebrar o elo dessa reação em cadeia. Como? Simples!
Vejamos um exemplo: estou na fila do supermercado e uma mocinha “fura” a fila e começa a fofocar animadamente com a caixa atendente. Percebo que se trata de uma funcionária hierarquicamente superior, mas o assunto entre elas nada tem a ver com o trabalho. Eis a ação. A reação “normal” poderia ser encrencar, desistir da compra, chamar o gerente, etc. Optei por uma reação “anormal”: desatei a gargalhar. Isto mesmo. As funcionárias me olharam estupefatas. Completei: só podiam estar tentando me pregar uma peça!
E foi a vida que me ensinou. Num outro supermercado, tempos atrás, eu estava na fila para pesar legumes. Uma mulher fez menção de entrar na minha frente e, sem mesmo ter certeza de sua intenção, estampei no rosto aquela expressão de “afaste-se”. Meu carrinho estava cheio e a senhora tinha apenas uns dois itens a serem pesados. Para meu espanto, a mulher ajudou na pesagem de meus itens, pacientemente, com um belo sorriso nos lábios. Envergonhada, pensei: tenho de aprender com ela. Não sei de quem se trata, e espero que ela se veja aqui homenageada por sua lucidez e por sua luz. Meus agradecimentos.
Além disso, uma segunda lição foi aprendida: não me antecipar aos acontecimentos. Não pré-julgar. Não esperar sempre o mal, nem sempre o bem. Viver enquanto analiso, pois enquanto o sentimento está correndo em nossas veias, a aprendizagem acontece mais fácil.
Reações erradas são as reações que “o inimigo” deseja que tenhamos. Reações erradas permitem que nossos adversários triunfem e terminem por dominar completamente nossas vidas! Como é que uma pessoa inteligente não percebe isso? Porque é óbvio demais para que possamos perceber. 
O que nos cega é o mesmo princípio que nos impede de perceber constantemente nossa respiração ou as batidas de nosso coração. Infelizmente, as reações erradas são as mais corriqueiras, fazendo com que nos acostumemos com elas, assumindo nossa rotina e fazendo com que nos acostumemos com elas.

sábado, 25 de junho de 2011

Ética para todos


Amigos! É um dos e-mails mais verdadeiros que recebi! Gostaria de saber a autoria, para divulgar melhor!


Tá reclamando de quê?

" Tá " Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arruda? do Sarney? do Collor? Do Renan? do Palocci? do Delubio? Dos políticos de Brasilia? do Jucá? do Kassab? dos mais 300 picaretas do Congresso? E você? Brasileiro Reclama De Quê?

O Brasileiro é assim:

1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.

2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.

3. - Suborna ou tenta subornar, quando é pego cometendo infração.

4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.

5. - Fala ao celular enquanto dirige.

6. -Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.

7. - Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.

8. - Viola a lei do silêncio.

9. - Dirige após consumir bebida alcoólica.

10. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.

11. - Espalha mesas, churrasqueiras, nas calçadas.

12. - Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.

13. - Faz " gato " de luz, de água e de tv a cabo.

14. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, só para pagar menos impostos.

15. - Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda, para pagar menos imposto.

16. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.

17. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.

18. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.

19. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.

20. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.

21. - Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.

22. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.

23. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.

24. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.

25. - Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.

26. - Leva das empresas onde trabalha pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.

27. - Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.

28. - Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.

29. - Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.

30. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

31. - Pega o benefício do Bolsa Família e usa para esticar o cabelo ou pagar a conta do celular.

E quer que os políticos sejam honestos...

Escandaliza- se com a farra das passagens aéreas...Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo ou não? E foi esse mesmo povo quem os elegeram e sabendo que eram corruptos ou não? E em troca de alguns tijolos, telhas, cachaça...não? Brasileiro reclama de quê, afinal?

E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos umamudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!Vamos dar o bom exemplo!Espalhe essa idéia!

"Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos..."

A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Aconteceu





Aconteceu.


E foi triste.

Aconteceu com Wescley Rocha Couto.

Vai acontecer de novo.

E será tão ou mais triste do que hoje.

Afinal...

Jovens morrem e se matam todos os dias.

E nossa culpa nos aparece, fantasmagórica.

Ao final...

Ninguém morre sozinho; ninguém se mata sozinho.

Muitas mãos se tingem de culpa:

As mãos do fornecedor da droga, as mãos da autoridade que não cumpre sua obrigação de proteger, as mãos do cidadão que não exercita a caridade.

Mãos que se cruzam em omissão.

Mãos que acendem pedras da morte, trilham carreiras de engano.

Mãos nas quais lemos a má sorte, o mau destino, a escravidão.

Mãos que tentam esconder nossa culpa, nosso medo, nosso desespero.

Gota a gota, lavam-se as mãos.

Passo a passo caminhamos para o desconhecido, que conhecemos como futuro.

Prece a prece desfiamos nossa tristeza.

Braço a braço, nos fortificamos.

Na responsabilidade cotidiana, o laço: sempre a culpa.

E pior que a culpa, o vazio de amor.

Vazio que paralisa mentes e mãos.

Vazio que acalenta nossa eterna omissão.

É da nossa conta.

Está registrado em nossa conta.

O que aconteceu e o que ainda vai acontecer.

A tristeza que disfarça a verdade.

O suicídio que pretensamente liberta o assassino.

As mãos criminosas que se enfeitam de anéis num simulacro de nobreza.

Corações que se esvaziam de amor, pra dar mais espaço ao dinheiro.

Enquanto isso, jovens se matam.

E são, ao mesmo tempo, mortos por nossa indiferença.

Ou será incompetência?

Quando a sorte é lançada, o desafio corre atrás...



domingo, 1 de maio de 2011

Tá bulindo comigo!!!




Melhor não "bullir". Não vá deletar...


Muito antes do bullying ser conceituado, nossos brasileirinhos do nordeste já o haviam descoberto. Trata-se de “bulir”, mexer, provocar.


Vejamos:

- Fulano tá bulindo comigo.

- Pare de bulir com ele, menino.

Quem não ouviu uma frase destas?

Então, vamos assumir a sabedoria popular brasileira, que se antecipou à importação do termo e de sua conceituação.

E quando verificamos a vasta existência desse fenômeno social, percebemos além da posição simplista da discussão centrada na escola ou, melhor dizendo, na idade escolar.

Considerado em suas características básicas, o bullying acompanha o indivíduo pela vida afora: é o chefe que assedia moralmente, é o familiar chantagista, é o vizinho provocador...

São muitas as circunstâncias em que essa patologia se instala.

Cumpre ao indivíduo se preparar para o enfrentamento destas questões, ao invés de ser ‘poupado’ por leis, curadores e outros personagens protetores de nosso estado-de-conto-de-fadas. A realidade se impõe, desde sempre, obrigando o indivíduo a evoluir. Não existe evolução social que não comece pela evolução pessoal, ou melhor, por pequenas evoluções individuais.

Episódios de bullying - como tudo nesta vida - têm também seu lado bom, quando se revelam oportunidades de aprendizagem. Podem ser comparados, nesse sentido, a reproduções lúdicas de situações reais da vida adulta: um brincar de gente grande, de casinha, de profissional, de mocinho ou de bandido. Brincando de se defender, a criança aprende a ser conciliadora, tolerante, positiva, analítica... São muitas as habilidades passíveis de serem adquiridas em situações de bullying.

Assim sendo, partimos do socrático “conheça a ti mesmo”.



PS. Coluna escrita sob inspiração de Ancelmo Gois



terça-feira, 26 de abril de 2011

GRATIDÃO

Acredito que a gratidão é condição fundamental para a evolução de pessoas e comunidades.






Divino deve muito a este homem.

Pra quem não conheceu, este foi o Juiz Diógenes de Araújo Netto, idealizador da Escola da Comunidade Divinense, que lançou Divino ao status de pólo regional em educação.
Mineiro de Abre Campo, ele receberia a Medalha da Inconfidência no dia 21 de abril de 2011. Infelizmente, faleceu em Belo Horizonte uma semana antes do evento, no dia 15.
A ele, o reconhecimento por tudo o que representou na busca por melhorias sociais, por dignidade e por nobreza de ideais.

Sobre ele, no site da Amagis, tem-se:
Quando menino, sempre ouvia de seu pai: “Você pode ser o que quiser, menos advogado”, relembra o magistrado, frisando que seu pai tinha certa “ojeriza” desse profissional. Prestou vestibular para engenharia, mas apesar de ser muito estudioso, não passou nas provas. O destino já o levava em direção ao direito. E foi pra ele, de fato, que Diógenes se dirigiu. Passou em um dos primeiros lugares no vestibular na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro. Contra o gosto de seu pai, deu início ao curso, o qual concluiu em 1952. Anos depois, prestou concurso para a magistratura mineira e, em 1958, entrava para a carreira que ainda lhe renderia uma série de surpresas.
Quando o senhor iniciou a carreira foi obrigado a ficar afastado e parar de atuar na magistratura. Como isso aconteceu?
Eu estava em minha primeira comarca, na cidade de Divino, onde também fui o primeiro juiz. Em 1964, em plena revolução, recebi a notícia de que acabara de ser colocado em disponibilidade. Naquele ano, fui condecorado pelo Ato Institucional nº 1. O motivo? Até hoje, eu não sei. Saiu uma publicação no Diário Oficial dizendo: o governador, com base no AI nº1 resolve colocar em disponibilidade o bacharel Diógenes de Araújo Netto.  Só isso, sem qualquer motivação. Eu continuava a ser juiz, mas não podia exercer a atividade.
Quais os efeitos que o fato trouxe para o senhor, tanto na vida pessoal quanto na profissional?
Na vida profissional, eu acredito que tenha prejudicado na minha promoção. Hoje, eu poderia ser um desembargador aposentado. Mas, o maior efeito, acredito, que tenha ficado com minha família, que ficou triste com o que estava acontecendo, e com meus amigos. Alguns deles ficaram até em dúvida, imaginando que eu pudesse ter feito alguma coisa para ser colocado em disponibilidade. Eu não sabia explicar por que não sabia o motivo. Se havia algum, até hoje, eu desconheço.
Nesse período, em que o senhor não podia exercer a magistratura desenvolveu alguma atividade?
Fiquei 16 anos sem poder atuar na magistratura. Eu era professor, na época, com título do Ministério da Educação. Comecei então a lecionar e fiz o curso de Letras na Faculdade de Filosofia de Caratinga. Fiz pós-graduação e me tornei mestre em lingüística e filologia. Lecionei latim na mesma faculdade onde estudei.
Quando e como se deu o retorno do senhor para a carreira?
O meu retorno se deu em 1980, possibilitado pela anistia. Eu parei de lecionar e voltei a atuar como juiz na comarca de Teixeiras, onde fiquei apenas três meses. Abriu uma vaga por antiguidade, e eu era o juiz mais antigo, já que foi contado meu tempo de disponibilidade. Fui para Campanha, onde fiquei seis meses, sendo promovido por merecimento para Caratinga. Lá, fiquei seis anos e fui promovido, também por merecimento, para Belo Horizonte.
Depois da aposentadoria, em 1995, pela compulsória, voltou a lecionar?
Iniciei um trabalho de escrever um dicionário de grego moderno. Hoje, ele está pronto, em fase de revisão. Além disso, coordeno trabalhos na minha fazenda de produção de café.
Para o senhor, qual a importância de uma associação de classe?
A associação de classe representa a força para defender os direitos de cada associado e estudar o campo de ação da classe, para que haja melhor produção, e para que o produto seja mais qualificado. A Amagis representa, a meu ver, exatamente o desejo da magistratura de estar sempre se atualizando e melhorando. O objetivo, alcançado pela Associação dos Magistrados Mineiros, é trazer mais força e prestígio para os juízes e desembargadores, para que eles possam desenvolver cada vez mais e melhor seu trabalho.
A Amagis lançou a MagisCultura, revista de cultura e arte dos magistrados mineiros. Qual a opinião do senhor sobre a revista?
Acho que é um trabalho muito importante. A arte e a literatura amaciam o sentimento da gente, e todos nós nos resumimos em sentir, pensar e agir. Principalmente, o homem magistrado, o juiz. Ele tem que ter uma sensibilidade delicada, um pensamento sólido e uma ação decidida e segura.
 
Como ex-aluna da Escola da Comunidade, senti-me obrigada.
Obrigada.
 
 
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